Último debate antes do 2º turno é marcado por cobranças econômicas e ataques entre Lula e Flávio
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Último debate tem acusações entre Lula e Flávio antes do 2º turno

24/10/2026 2 views 4 min de leitura

O derradeiro confronto televisivo antes do pleito do próximo domingo (25) foi dominado por duros embates e acusações mútuas entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Durante duas horas de discussão, os candidatos sabatinaram-se mutuamente sobre temas cruciais como economia, endividamento das famílias, saúde, segurança pública, programas sociais e investimentos em infraestrutura.

Economia, poder de compra e o embate sobre o custo de vida

O primeiro bloco colocou a economia e a infraestrutura no centro das atenções. Flávio abriu o confronto questionando a capacidade de Lula de concluir obras, enquanto o petista defendeu os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O debate financeiro esquentou quando o senador cobrou o atual presidente sobre a inflação e a perda de renda da população.

“Hoje é dia 23 de outubro, o mês ainda não acabou. O seu salário já acabou?”, perguntou o senador, criticando a alta nos preços dos alimentos e os gastos públicos.

Em resposta, o candidato à reeleição defendeu a política de valorização do salário mínimo e questionou as intenções do adversário, comparando suas propostas econômicas às medidas adotadas na Argentina. A discussão também passou pelo agronegócio, momento em que Lula defendeu a abertura de novos mercados internacionais.

“Quando meu adversário ficou lambendo as botas do Trump para taxar o Brasil, não fiquei preocupado”, afirmou Lula, rechaçando as críticas sobre a condução do setor.

Segurança pública, saneamento e o cenário no Nordeste

A segurança pública e a situação da Região Nordeste geraram forte tensão entre os dois postulantes ao Planalto. Flávio cobrou ações mais duras contra a expansão do crime organizado e criticou gestões estaduais aliadas ao governo federal.

“Eu vou governar para o Nordeste, vou governar inclusive em parceria com os governadores que não são aliados meus políticos. Lula, os estados do Nordeste são administrados pelo PT e pelos seus parceiros. São os mais violentos do Brasil. Você deixou o Comando Vermelho se proliferar pelo Nordeste junto com os governadores que são seus apoiadores”, respondeu Flávio.

O bloco também abordou o marco legal do saneamento básico, com divergências sobre universalização dos serviços de água e esgoto, além de debates acalorados sobre políticas sociais, o programa Bolsa Família e a licença-maternidade. Questionado sobre seu voto passado contra o aumento do benefício para mães, o candidato do liberal mudou o tom.

“Eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que eu tenho duas filhas, mais do que nunca eu sei da importância da mãe estar perto do filho por até mais de 180 dias, se possível”, afirmou o candidato do PL.

Saúde, endividamento e os embates judiciais

O Sistema Único de Saúde (SUS) e a gestão da pandemia de Covid-19 dominaram o debate sanitário. O senador apontou problemas estruturais e longas filas na rede pública, enquanto Lula defendeu a atuação do sistema público durante a crise global.

“Você chega num hospital e é fila pra tudo”, disse o senador. Rebateu o petista declarando: “O SUS é o responsável por evitar que morresse mais gente da Covid depois da responsabilidade do governo do pai dele”.

O endividamento das famílias também gerou atritos, com Flávio apontando dificuldades financeiras da população e Lula destacando os programas de renegociação de dívidas, além de alertar para os riscos associados às apostas on-line.

Disputas territoriais e considerações finais

O quarto bloco trouxe temas polêmicos, incluindo a disputa pela posse de uma ilha em Angra dos Reis e investigações financeiras. Nas considerações finais, o tom subiu, mas ambos buscaram sintetizar suas propostas para o eleitorado.

Lula pediu desculpas pelo tom elevado e encerrou com um alerta sobre o futuro da instituição democrática. “Ou a gente mantém a democracia funcionando ou a gente vai ter um miliciano governando este país”, declarou.

Por fim, após exercer direito de resposta, Flávio negou qualquer ligação com milícias e destacou suas prioridades finais. “Eu nunca fui investigado por relação com milícia. […] Eu vou combater as milícias, vou classificá-las como organizações narcoterroristas e vou recuperar os territórios dominados por criminosos”, afirmou o senador.

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