O estado do Acre contabilizou 389 pessoas em tratamento ativo contra a hanseníase em setembro de 2026, impulsionado por um crescimento acentuado na taxa de prevalência nos últimos dois anos. Em resposta a esse cenário epidemiológico, o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) abriu um procedimento administrativo para monitorar de maneira contínua o suporte e o atendimento médico oferecido aos pacientes diagnosticados na região.
Evolução da doença e patamar de endemicidade
Os registros oficiais foram divulgados no Diário Eletrônico do MPAC, com base em levantamentos consolidados pelo Núcleo de Vigilância das Doenças Transmissíveis da Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) através do Sinan. Historicamente, o cenário apresentou mudanças drásticas: em 2024, a taxa era de 0,37 caso por 10 mil habitantes, somando 34 pacientes. O índice avançou para 2,71 em 2025, com 246 pessoas em atendimento, até atingir 4,29 casos por 10 mil habitantes em setembro de 2026, elevando o estado a um patamar médio de endemicidade.
Cenário preocupante nos municípios
O impacto da enfermidade varia conforme a localidade, destacando-se Porto Walter com uma taxa alarmante de 12 casos por 10 mil habitantes, patamar considerado “muito alto”. Outras regiões registram índices de alta incidência, como Assis Brasil (9,15), Xapuri (8,56), Rio Branco (5,86), Jordão (5,80) e Rodrigues Alves (5,06). Somente a capital concentra 246 pacientes sob cuidados médicos.
Diagnóstico tardio e grupos vulneráveis
O monitoramento ministerial revelou que, em 2025, 218 novos diagnósticos já apresentavam algum grau de incapacidade física, sendo 70 pacientes no Grau I e 18 no Grau II. A proporção de casos identificados já no Grau II chegou a 33,33% em Porto Walter e a 25% em Sena Madureira e Epitaciolândia, evidenciando falhas na detecção precoce pela atenção básica. Além disso, o avanço atingiu servidores da saúde em Rio Branco, com cinco confirmações, e detentos no Presídio Francisco de Oliveira Conde, que registraram dois casos da forma virchowiana.
Diante das falhas apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC) em planos municipais de saúde de várias cidades, o MPAC firmou o acompanhamento permanente por um ano, visando integrar ações com órgãos de controle, a Sesacre e o Morhan para reverter o quadro epidemiológico local.
Gerar Post/Story