Entre 2016 e 2025, os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) no Acre atenderam 2.052 crianças com menos de 10 anos vítimas de quedas. O indicador coloca o estado na quarta posição entre os menores volumes de internação dessa natureza em todo o território nacional, de acordo com um estudo elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com base em dados do Ministério da Saúde.
Panorama regional e o cenário brasileiro
No ranking geral brasileiro, o Acre fica atrás apenas de Roraima (66 casos), Amapá (1.003) e Sergipe (1.324) em registros de hospitalização por tombos na infância. Quando observado o recorte da Região Norte, que totalizou 28.803 ocorrências na década analisada, a unidade federativa ocupa o terceiro menor número, posicionando-se à frente de Roraima e Amapá.
O Pará encabeça a lista nortista com folga, somando 14.268 registros, seguido por Rondônia (5.006), Tocantins (3.520) e Amazonas (2.888). No quadro global do Brasil, foram 330.788 internações de menores de dez anos no intervalo de dez anos, o que corresponde a uma média anual próxima de 33 mil episódios. As unidades federativas mais populosas lideram o levantamento: São Paulo (71.703), Minas Gerais (33.430), Bahia (27.204), Paraná (25.783) e Ceará (20.369). A tendência preocupante permanece, já que quase 15 mil crianças deram entrada em hospitais no país pelo mesmo motivo no primeiro semestre de 2026.
Crianças em idade escolar lideram estatísticas
O recorte etário aponta que meninos e meninas de 5 a 9 anos formam o contingente mais vulnerável a acidentes graves, com 193,8 mil internações nacionais. Essa predominância se dá pela expansão das atividades corporais e brincadeiras dinâmicas, esportes e passeios ao ar livre, situações que elevam a probabilidade de traumas.
Já o grupo de 1 a 4 anos acumulou 110,1 mil hospitalizações. No caso dos bebês com menos de um ano de vida, foram registradas 26,7 mil internações em todo o país — desse total, 3,7 mil casos ocorreram em virtude de quedas de leitos.
Estratégias de prevenção e vigilância doméstica
O presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Edson Liberal, destaca que a adaptação das rotinas familiares é essencial para reduzir esses índices alarmantes:
“Grande parte deles pode ser evitada com medidas simples de segurança. É preciso investir na identificação prévia dos riscos que existem em cada ambiente onde a criança brinca, estuda e circula. Além disso, as diferentes fases do desenvolvimento exigem um olhar específico, com a adoção de cuidados adequados à idade e à capacidade de cada criança. A prevenção deve fazer parte da rotina”, afirma.
Medidas recomendadas por faixa etária
As diretrizes preventivas variam de acordo com a fase de desenvolvimento motor:
Para lactentes com até um ano, a recomendação é não deixá-los sem supervisão em sofás, trocadores, camas ou superfícies elevadas, além de banir o uso de andadores. Para o segmento de 1 a 4 anos, a proteção envolve telas de segurança em janelas e sacadas, o reposicionamento de móveis para evitar escaladas e a constante presença de adultos.
Entre 5 e 9 anos, os cuidados devem se voltar para o uso obrigatório de capacetes, joelheiras e cotoveleiras no uso de skates, bicicletas e patinetes, somado à atenção rígida em lajes, muros e parquinhos. Como enfatiza a médica Adriana Rocha Brito, presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP, a proteção depende do acompanhamento ativo:
“O olhar vigilante dos pais e responsáveis ajuda a identificar situações de perigo e a intervir antes que uma queda aconteça.”
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