Itamaraty acusa Milei de tentar interferir na eleição brasileira
Internacional

Itamaraty repudia ataques de Milei e acusa presidente argentino de tentar fraudar a eleição

21/10/2026 4 views 3 min de leitura

O Ministério das Relações Exteriores publicou um comunicado oficial, nesta terça-feira (20), para repudiar veementemente os recentes ataques disparados pelo presidente da Argentina, Javier Milei, contra o chefe de Executivo brasileiro e o processo democrático nacional.

Invasão na democracia e ataques virtuais

Aliado próximo da família Bolsonaro, o mandatário argentino utilizou suas plataformas digitais para insultar o governo brasileiro e sugerir a existência de fraudes na disputa eleitoral, cujo segundo turno está marcado para o próximo domingo (25).

“As ofensas de hoje do Presidente da República Argentina ao Brasil, desta vez dirigidas ao Poder Judiciário e ao sistema de voto eletrônico, constituem nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”, afirmou a pasta das Relações Exteriores.

A postagem de Milei na rede social X incluiu um fragmento de uma entrevista televisiva concedida na noite anterior, na qual ele alegou esperar que “o último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição”. O líder argentino também replicou trechos de debates políticos locais, rotulando o mandatário brasileiro de “autoritário adorado pelos progressistas locais”.

Defesa das urnas eletrônicas e resposta oficial

Em sua manifestação formal, o Itamaraty destacou que o governante argentino “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado, há quatro anos”. O texto acrescenta que “essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”.

Reforçando a confiabilidade das instituições, a diplomacia brasileira pontuou que “o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro, nunca registrou irregularidades e observadores eleitorais do mundo inteiro já ratificaram essa realidade no primeiro turno das eleições”. A nota concluiu ressaltando que “a decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se manifestará livremente nas urnas, e sem qualquer tipo de ingerência externa, no domingo, dia 25”.

Crise diplomática e impacto comercial

As reiteradas declarações hostis do presidente argentino provocaram o resfriamento dos laços entre Brasília e Buenos Aires. Desde agosto, o posto de embaixador brasileiro na capital vizinha está vago e o representante argentino foi obrigado a deixar território nacional, fazendo com que o país seja representado atualmente por um Encarregado de Negócios.

O desgaste institucional se aprofundou em 26 de julho, quando o embaixador brasileiro foi chamado de volta após Milei insultar o governo nacional durante um evento partidário que contou com a presença de Flávio Bolsonaro, ocasião em que o chefe de Estado argentino chamou o presidente de “presidiário” e ofendeu o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Parceria econômica estratégica

Apesar da forte tensão política, o Brasil segue como o principal parceiro comercial da Argentina. Integrantes fundamentais do Mercosul, as duas nações mantêm laços bicentenários e estruturas produtivas fortemente conectadas, com destaque para o intercâmbio nos ramos industrial e automotivo.

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