A prisão de ventre, as dores abdominais e as alergias alimentares estão entre os problemas gastrointestinais mais frequentes na infância. Durante entrevista ao programa Médico 24 Horas, apresentado pelo médico Fabrício Lemos e exibido nesta segunda-feira (19), a gastropediatra Sinnara Lisboa alertou para a influência dos hábitos alimentares na saúde das crianças e defendeu mudanças na rotina das famílias para prevenir problemas digestivos.
Segundo a especialista, o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, como biscoitos, salgadinhos e produtos industrializados, aliado à baixa ingestão de água e fibras, contribui para o surgimento de queixas gastrointestinais. A médica destacou que a alimentação infantil precisa ser observada dentro do contexto familiar, já que os hábitos dos pais influenciam diretamente as escolhas dos filhos.
“Eu acho que dá para dividir em três doenças principais, as mais prevalentes: constipação intestinal, que é a prisão de ventre; a dor abdominal, que é uma questão muito comum também em pediatria; e as alergias alimentares”, explicou Sinnara ao ser questionada sobre os principais problemas atendidos no consultório.
Prisão de ventre é uma das principais queixas
A constipação intestinal foi apontada pela gastropediatra como uma das condições mais frequentes entre as crianças atendidas por ela. Durante a entrevista, a médica relacionou o problema à combinação de alimentação pobre em fibras, hidratação insuficiente e consumo de alimentos que podem favorecer o endurecimento das fezes.
“Falta de água, falta de hidratação e pouca fibra”, resumiu a especialista ao explicar alguns dos fatores que contribuem para a dificuldade de evacuação.
Sinnara também chamou atenção para hábitos alimentares comuns no Acre, especialmente o consumo de farinha de mandioca e tapioca. Segundo ela, esses alimentos aparecem com frequência na dieta das crianças atendidas no consultório. “A maioria desses que chegam para mim, eu já pergunto: é constipado? Come farinha? Acho que 100% comem”, relatou.
A médica ponderou que a alimentação tradicional faz parte da rotina de muitas famílias, mas ressaltou a importância de equilibrar o consumo desses produtos com alimentos ricos em fibras e uma ingestão adequada de líquidos.
Ao explicar como os pais podem melhorar a alimentação dos filhos, a especialista defendeu a inclusão de frutas e verduras no cardápio diário. Para ela, a mudança precisa começar pelos adultos. “Porque a criança não vai lá e fazer sua salada. Ela não vai lá na geladeira e vai descascar uma laranja. O pai que tem que fazer isso por ela”, afirmou.
Sinnara acrescentou que a resistência das crianças a determinados alimentos pode estar relacionada aos próprios hábitos da casa. “A gente pergunta: ‘Mas na sua casa, vocês comem salada?’. Aí o pai e a mãe: ‘Não’. Então não tem como o filho comer”, contou.
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