Pesquisa AtlasIntel mostra onde Lula avançou sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno
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Pesquisa AtlasIntel mostra onde Lula avançou sobre Flávio Bolsonaro no 2º turno

19/10/2026 3 views 4 min de leitura

A nova pesquisa AtlasIntel divulgada nesta segunda-feira, 19, mostra uma redução da diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro na disputa pelo segundo turno. O senador aparece com 49,8% das intenções de voto, contra 47,6% do presidente. A vantagem, que era de 5,4 pontos percentuais na última sondagem, chegou a 2,2 pontos percentuais.  (Este texto é um trecho do vídeo acima)

Para Yuri Sanches, diretor de Análise Política da AtlasIntel, a redução da distância segue um padrão observado em outros levantamentos. Segundo ele, a melhora de Lula aparece principalmente em alguns segmentos específicos do eleitorado: o presidente cresceu cinco pontos entre as mulheres, cinco pontos no Nordeste e cerca de dois pontos na região Sul.

Onde Lula conseguiu avançar?

A divisão por gênero é um dos elementos destacados por Sanches. De acordo com o analista, Lula teve avanço entre as mulheres, ao mesmo tempo em que registrou uma leve piora entre os homens. Flávio Bolsonaro, segundo ele, consegue capitalizar parte desse movimento no eleitorado masculino.

O Nordeste também aparece como uma das regiões em que Lula ampliou sua posição. Já no Sudeste, apontado por Sanches como importante para uma eventual mudança no cenário, houve estabilidade em relação ao estudo anterior. A pesquisa divulgada nesta segunda-feira mostra Flávio à frente em todas as regiões brasileiras, com exceção do Nordeste.

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O que mudou na campanha de Lula?

Na avaliação de Sanches, a diferença entre as campanhas está também no nível de engajamento. Segundo ele, Flávio Bolsonaro iniciou o segundo turno concentrado na construção de alianças e de palanques com prefeitos e governadores eleitos no primeiro turno. O bom desempenho na primeira etapa, afirmou, pode ter levado a campanha a um estado de maior tranquilidade.

No campo de Lula, o movimento teria sido diferente. Sanches aponta uma mudança na estratégia de comunicação, na campanha digital e na mobilização nas ruas. Para o analista, os resultados do primeiro turno teriam servido como um alerta para a campanha e para a militância do presidente, contribuindo para um aumento da mobilização. Ele também avalia que a campanha digital passou a ter mais eficácia.

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Quem ainda pode mudar de lado?

Outro ponto central da análise é o eleitor que não escolheu Lula nem Flávio no primeiro turno. Sanches afirma que a disputa ainda envolve os eleitores que votaram em outros candidatos, os que optaram por branco ou nulo e aqueles que não compareceram às urnas.

No recorte apresentado no programa Ponto de Vista, os eleitores de Renan Santos aparecem divididos: 33% indicam voto em Flávio, 31,9% em Lula e 34,6% dizem que votarão branco ou nulo ou ainda não sabem. Entre os eleitores de Caiado, 69,8% migram para Flávio. Já entre os que votaram em Augusto Cury, 52,1% indicam Lula.

Entre os eleitores que votaram branco ou nulo no primeiro turno, 38,7% dizem que pretendem votar em Flávio, 21,1% em Lula e 40,2% permanecem entre branco, nulo ou não sabem. No grupo que não compareceu às urnas, 55,7% indicam Lula e 40,2% Flávio, segundo os números apresentados no programa.

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Por que a rejeição ganhou importância?

Para Sanches, a eleição é marcada principalmente pela disputa em torno das rejeições. Segundo ele, as campanhas precisam convencer o eleitor disponível não apenas com argumentos favoráveis aos próprios candidatos, mas também por meio de narrativas e contranarrativas capazes de reforçar ou neutralizar a rejeição ao adversário.

O analista citou a soberania como exemplo. Na avaliação dele, uma mensagem de Lula de proteção do país e da soberania nacional não necessariamente teria hoje a mesma eficácia que uma narrativa destinada a associar Flávio Bolsonaro à submissão aos Estados Unidos. Sanches afirmou ainda que redes sociais e cortes de debates devem ser usados pelas duas campanhas para tentar construir esse elemento de rejeição.

A avaliação apresentada no Ponto de Vista, programa de VEJA apresentado por Laísa Dall’Agnol, é que a redução da distância registrada pela AtlasIntel ocorre em um cenário ainda aberto à disputa pelo eleitor que não está comprometido com nenhum dos dois candidatos. Para Sanches, a vantagem de Flávio ainda oferece conforto, mas permanecer apenas apoiado nela pode ser arriscado diante da necessidade de manter o eleitor engajado até o segundo turno.

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