Um grupo de quatro pessoas sobreviveu a um grave acidente aéreo no interior do Acre, no último sábado (17), após uma pane total paralisar a aeronave a milhares de pés de altitude. O avião precisou planar às cegas até realizar um pouso forçado no leito de um rio da região amazônica.
Falha mecânica e perda de visibilidade em altitude
A viagem teve início por volta das 9h05, mas o trajeto foi interrompido cerca de 15 minutos após a partida, quando um vazamento mecânico espalhou fluído pelo vidro da cabine, comprometendo drasticamente a visão dos ocupantes enquanto ainda cruzavam uma densa camada de nuvens.
“Nós iniciamos a decolagem de manhã, no horário normal. Depois de 15 minutos de voo, a gente começou a perceber um vazamento de óleo. Esse óleo estava saindo do motor e melando todo o para-brisa, a ponto de a gente ficar quase sem visualização”, relatou o comunicador e apresentador do AcreCap Marcos Bergson.
A situação evoluiu rapidamente para um cenário crítico quando o sistema perdeu toda a lubrificação, forçando a parada completa dos propulsores.
“Quando o óleo do motor todo vazou por completo, então o motor desligou, e nesse momento a gente ficou planando por uns 3 minutos. Foi tempo suficiente para a gente sair de cima das nuvens, baixar e conseguir ter todo o visual”, contou.
Decisão arriscada evitou tragédia maior
Sem propulsão e com o solo se aproximando em velocidade constante, o comandante buscou a alternativa que causasse o menor dano possível aos passageiros diante da geografia local.
“Quando a gente saiu das nuvens, a gente deu de cara com o rio. E a atitude do piloto foi jogar o avião para dentro do rio para ter menos danos, né? Ou para a gente se machucar menos, para a gente conseguir sobreviver”, disse.
A postura focada do condutor da aeronave foi determinante para evitar ferimentos graves entre os tripulantes, apesar da tensão generalizada a bordo.
“Mas graças a Deus deu tudo certo, o comandante agiu muito rápido, ele foi muito cauteloso, foi muito calmo, eu até me admiro com a tranquilidade dele, eu não fiquei tão tranquilo assim, né?”, afirmou.
“Foi tenebroso demais. Quando a gente se lembra de todo ocorrido, ainda vem um filme na cabeça e a gente vai lembrando e lembrando, relembrando e a gente lembra de cada detalhe, então o momento mais assustador de todos é quando você tá lá em cima e o motor desliga, então foi terror”, relatou.
Resgate e espera no teto da aeronave
Com o choque contra a água, o avião afundou parcialmente, mantendo apenas a cauda visível. Diante da forte correnteza do rio, os sobreviventes buscaram refúgio na parte externa para não serem arrastados.
“Depois do impacto no rio, imediatamente a gente abandonou a aeronave. Como o rio estava seco, o avião ficou submerso, mas com o leme ainda para fora. Embora raso, a correnteza era muito forte, então nós ficamos em cima das asas do avião, esperando alguém passar, e se a gente de repente não recebesse ajuda, a gente ia tentar chegar até a be
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