Eleições 2026

Sem Mailza, debate da TV Gazeta aborda violência contra mulher e combate à corrupção no Acre

21/09/2026 3 views 26 min de leitura

Cinco candidatos ao Governo do Acre participaram, na noite desta segunda-feira (21), do debate promovido pela TV Gazeta, em Rio Branco. O encontro foi mediado pelo jornalista Fábio Menegatti, da RECORD, e teve como participantes Eudo Raffael (PCB), Alan Rick (Republicanos), Tião Bocalom (PSDB), Thor Dantas (PSB) e Dr. Luisinho (Agir).

A governadora e candidata à reeleição, Mailza Assis (PP), não participou do debate. Segundo informações divulgadas pela campanha, a ausência ocorreu em razão de compromissos eleitorais em Santa Rosa do Purus e Cruzeiro do Sul. A emissora havia anunciado inicialmente a participação dos seis candidatos.

Durante o encontro, os candidatos discutiram temas como educação, reforma tributária, geração de emprego e renda, industrialização, infraestrutura e políticas sociais.

Educação e geração de emprego

No primeiro bloco, Alan Rick questionou Thor Dantas sobre a situação da educação no Acre. Thor criticou problemas estruturais e de gestão e afirmou que dificuldades relacionadas à alimentação escolar e à estrutura das unidades de ensino ainda precisam ser enfrentadas.

Alan Rick apresentou propostas voltadas à melhoria da infraestrutura das escolas, à valorização dos profissionais da educação e à recuperação da aprendizagem. Entre as medidas citadas pelo candidato estão o programa Pacto Acre pela Aprendizagem, com foco em alfabetização e recuperação de conteúdos de português e matemática, e o Pacto Escola Digna, voltado à estrutura das unidades de ensino.

Reforma tributária gera divergência

Outro momento de discussão ocorreu quando Thor Dantas questionou Tião Bocalom sobre a reforma tributária.

Bocalom afirmou ser contrário ao modelo aprovado e disse que participou das discussões sobre o tema quando era prefeito. Na avaliação do candidato, a mudança reduz a capacidade de estados e municípios utilizarem mecanismos tributários para atrair investimentos.

“Eu fui contra, e sou contra. Eu acho que essa reforma precisa haver um novo governo, precisa haver uma nova discussão. Porque o Acre não aguenta mais. Nós precisamos atrair novos investimentos”, declarou Bocalom.

Thor Dantas apresentou posição diferente. O candidato afirmou que a reforma já está em processo de transição e que a cobrança dos tributos no destino poderá trazer efeitos para estados como o Acre.

Segundo Thor, com o fim da chamada guerra fiscal, o Estado precisará buscar outras estratégias para atrair investimentos, como melhorias em infraestrutura, modernização dos serviços aduaneiros, fortalecimento da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e internacionalização dos aeroportos.

Industrialização e economia

Questionado por Bocalom sobre pobreza e desenvolvimento econômico, Dr. Luisinho defendeu o aumento da produção e da industrialização como estratégias para ampliar a geração de riqueza no Acre.

O candidato afirmou que o Estado precisa elevar seu Produto Interno Bruto (PIB) e ampliar a geração de emprego e renda. Ele também defendeu investimentos na indústria como forma de agregar valor à produção.

Bocalom, por sua vez, citou sua experiência como prefeito de Acrelândia e afirmou que o município apresenta uma economia mais movimentada. Segundo ele, a criação de um ambiente favorável aos investimentos é necessária para estimular empresas e gerar empregos.

O candidato também defendeu o fortalecimento da produção agrícola e da pecuária como forma de garantir matéria-prima para a instalação de agroindústrias no Estado.

Durante a discussão, Bocalom também afirmou que o combate à corrupção seria uma das prioridades de sua eventual gestão.

Desenvolvimento econômico e mercado de trabalho

Em outro momento, Eudo Raffael questionou Dr. Luisinho sobre estratégias para ampliar o PIB e criar empresas no Acre.

Luisinho defendeu o fortalecimento do mercado interno e afirmou que o desenvolvimento econômico precisa resultar em distribuição de renda e criação de oportunidades para os trabalhadores.

O candidato também mencionou propostas relacionadas à industrialização de produtos retirados da floresta, criação de centros de excelência em educação e tecnologia nos municípios e desenvolvimento de uma indústria farmacêutica no Estado.

Na sequência, Luisinho diferenciou crescimento econômico de desenvolvimento econômico e defendeu investimentos em áreas como tecnologia, inteligência artificial, engenharia digital e desenvolvimento de software para preparar os jovens para o mercado de trabalho.

Alan Rick apresenta programa de investimentos

Ao responder a Eudo Raffael, Alan Rick defendeu a geração de emprego como um dos principais mecanismos de distribuição de renda.

O candidato apresentou o “Acre Investimentos 2027-2030”, que, segundo ele, reuniria projetos destinados à captação de recursos federais e de organismos multilaterais, além de concessões e parcerias com a iniciativa privada.

Alan Rick também citou uma proposta de investimentos em saneamento e afirmou que o setor poderia gerar empregos e renda. O candidato ainda defendeu o fortalecimento da agricultura, da pecuária e da agricultura familiar.

Eudo Raffael questionou, entre outros pontos, as propostas relacionadas ao saneamento e pediu maior detalhamento sobre medidas de assistência emergencial para famílias afetadas por enchentes e períodos de seca.

Educação volta ao centro do debate

Em outro confronto, Tião Bocalom questionou Alan Rick sobre a educação no Estado.

Alan Rick voltou a apresentar propostas para os primeiros 100 dias de governo, incluindo avaliação dos estudantes, recuperação da aprendizagem, reestruturação das escolas e investimentos em tecnologia e internet.

O candidato também fez críticas à atual gestão estadual e mencionou investigações da Polícia Federal relacionadas à área da educação. Essas referências foram apresentadas por Alan Rick como parte de suas críticas à administração atual.

Bocalom também criticou as condições de algumas escolas e citou experiências realizadas durante suas administrações municipais em Acrelândia e Rio Branco. O candidato defendeu a valorização dos professores e afirmou que pretende ampliar investimentos na estrutura das unidades de ensino.

Diploma de Mailza é citado durante debate

A ausência de Mailza Assis também foi mencionada durante um dos blocos. Ao discutir educação com Alan Rick, Dr. Luisinho foi questionado sobre as controvérsias envolvendo a formação acadêmica da governadora e candidata à reeleição.

Luisinho afirmou que não tinha elementos para explicar a obtenção do diploma atribuído à candidata e disse preferir concentrar o debate em propostas para a educação.

Alan Rick, por sua vez, fez críticas à formação apresentada por Mailza e levantou questionamentos sobre a compatibilidade entre o local do curso e a rotina da candidata no período mencionado.

Um dos momentos mais acalorados quando Eudo Raffael (PCB) e Tião Bocalom (PSDB) discutiram episódios relacionados à gestão municipal de Rio Branco, incluindo o transporte coletivo, contratos públicos e o projeto conhecido como “mosquito do bem”.

Eudo Raffael questionou Bocalom sobre supostos escândalos envolvendo a administração municipal e afirmou que teria encaminhado denúncias aos órgãos de controle. Entre os episódios citados pelo candidato estiveram questões relacionadas ao transporte público e ao projeto do chamado “mosquito do bem”.

Em resposta, Bocalom afirmou que não havia recebido, até aquele momento, nenhuma notificação do Tribunal de Justiça relacionada às acusações apresentadas durante o debate. O candidato também disse que foi ele próprio quem denunciou o episódio envolvendo o “mosquito do bem” aos Ministérios Públicos Estadual e Federal.

“O mosquito do bem, quem denunciou, fui eu. Mandei para o Ministério Público Federal, Estadual, para todo mundo. Então isso está sendo apurado e vai ser apurado”, afirmou.

Bocalom também rejeitou qualquer envolvimento em atos de corrupção e citou sua trajetória política. Segundo ele, durante os cinco mandatos como prefeito, não teria tido contas rejeitadas pelo Tribunal de Contas.

“Me diga onde tem alguém dizendo que Bocalom se envolveu com alguma coisa corrupta. Não existe. Não fiz, não faço e não vou fazer”, declarou.

O candidato também afirmou que considera sua atuação política uma forma de serviço público e defendeu que os recursos públicos sejam utilizados de maneira adequada.

Eudo cita contratos e transporte público

Na réplica, Eudo Raffael voltou a abordar a situação do transporte coletivo de Rio Branco. O candidato afirmou que o Ministério Público teria questionado medidas relacionadas ao sistema e mencionou a empresa Rigo, além de questionar a origem empresarial da companhia.

Segundo Eudo, ele teria apresentado denúncia ao Ministério Público antes do agravamento dos problemas no transporte coletivo. O candidato defendeu que contratos e eventuais irregularidades sejam investigados pelos órgãos competentes.

“Para descobrir se alguém roubou ou não, tem que ser apurado”, afirmou.

Eudo também fez críticas ao aumento do número de cargos comissionados na administração municipal e relacionou a medida à tentativa de impedir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o transporte público. A afirmação foi feita pelo candidato durante o debate e não foi acompanhada, no momento da fala, de documentação apresentada no programa que comprovasse a relação entre os fatos.

Bocalom defende atuação na área do transporte

Na tréplica, Bocalom criticou gestões anteriores e afirmou que, durante sua administração, adotou medidas relacionadas ao valor da tarifa do transporte coletivo.

“Eu tive a coragem de dizer: baixei a passagem de R$ 4 para R$ 3,50 e permanece até hoje. O óleo diesel custava R$ 3,60 e hoje custa R$ 8”, afirmou.

No segundo bloco do debate, os candidatos responderam a perguntas feitas pelo mediador e apresentaram propostas para áreas como segurança pública, geração de emprego e renda, infraestrutura, habitação e combate à corrupção.

Segurança pública

Alan Rick debateu segurança pública com Tião Bocalom e apresentou propostas para os primeiros 100 dias de um eventual governo.

“Nos primeiros 100 dias, vamos agir fortemente no combate à criminalidade organizada. O nosso gabinete institucional terá todas as polícias no combate ao crime organizado, fortalecendo a atuação da Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Penal, em parceria com o Ministério Público e o Poder Judiciário”, afirmou.

O candidato também defendeu a implantação de delegacias 24 horas em pontos estratégicos, a retomada do policiamento comunitário, o aumento do efetivo nas ruas e a valorização dos profissionais da segurança pública.

“Vamos colocar mais policiais nas ruas, qualificando e pagando um salário mais justo, garantindo a titulação também para aqueles que esperam. O nosso governo trabalhará também em parceria com Peru e Bolívia para reduzir os crimes transfronteiriços, o tráfico de drogas e o roubo de veículos”, acrescentou.

Bocalom, por sua vez, citou ações desenvolvidas durante sua gestão na Prefeitura de Rio Branco e defendeu o uso de tecnologia no combate à criminalidade.

“O que a gente precisa também é lembrar que nós temos um sistema moderno hoje de segurança pública, que nós implantamos aqui no município, que, inclusive, nos credenciou a firmar uma parceria com a Polícia Federal. Então, nós vamos colocar câmeras no Estado inteiro para que possamos fazer um trabalho muito parecido com o que fizemos aqui em Rio Branco”, declarou.

O candidato também afirmou que as forças de segurança precisam contar com melhores condições de trabalho.“Não é só isso. As polícias precisam ter condições de trabalhar. Não dá mais para continuar essa situação desse jeito”, disse.

Emprego e renda

Bocalom voltou a discutir geração de emprego e renda com Eudo Raffael e citou Acrelândia como exemplo de desenvolvimento baseado na produção local.

“Eu tenho que voltar novamente à prática que eu tenho. Está lá a nossa Acrelândia, o que aconteceu hoje no município, que realmente tem cinco bancos lá e a economia circula muito bem. É baseado naquilo que eu já fiz lá em Acrelândia. Não adianta inventar a roda. Muita gente quer inventar a roda, mas não adianta. É só fazer o que nós fizemos”, afirmou.

Bocalom defendeu o fortalecimento do setor primário e da produção local para reduzir a dependência de produtos vindos de outros estados.“Não adianta nós comermos arroz de fora, feijão de fora, leite de fora. Tudo vem de fora e o dinheiro vai embora. Então, precisamos produzir mais e gerar renda aqui. Precisamos de um projeto de trabalho desde a escola até o mercado de trabalho, passando pelo nível superior”, declarou.

O candidato também defendeu a criação e o fortalecimento de cooperativas de trabalhadores e de estruturas para beneficiamento da produção local.

Eudo Raffael rebateu o argumento e questionou a utilização de Acrelândia como referência.“É muito fácil a gente escutar que lá em Acrelândia está legal, está bonito. Ele é prefeito de Rio Branco. Rio Branco é de onde mais saíram trabalhadores atrás de outras oportunidades em outros estados?”, questionou.

Infraestrutura e habitação

Eudo Raffael também debateu infraestrutura com Alan Rick e defendeu investimentos em estradas, ramais e infraestrutura urbana.

“Nós precisamos falar de estradas, de ramais e também precisamos falar da cidade. O nosso plano de trabalho vai estar justamente na continuidade das obras que estão paradas, na infraestrutura e na produção de alimentos para o Estado do Acre”, afirmou.

Eudo também defendeu medidas para evitar danos aos ramais provocados pelo transporte de cargas pesadas e criticou a execução de emendas parlamentares destinadas à infraestrutura.“Precisamos ter alguns pactos de sociedade. Então, temos que falar de infraestrutura e lembrar também que as emendas parlamentares que vêm com essa rubrica de infraestrutura não são executadas, porque os políticos que estão com mandato seguram para o ano da eleição”, declarou.

Alan Rick afirmou que a infraestrutura é fundamental para o crescimento econômico do Estado e apresentou uma série de propostas.“Infraestrutura é fundamental, porque, se não houver infraestrutura, o Estado não cresce. Vamos trabalhar em várias frentes. Primeiro, auxiliando o governo federal na reconstrução da BR-364, nosso grande gargalo logístico. Segundo, um grande programa de habitação, que vem na mesma esteira do saneamento básico”, disse.

Segundo Alan, o planejamento também deverá contemplar abastecimento de água, esgotamento sanitário, iluminação pública, pavimentação, drenagem e mobilidade urbana.

Na área habitacional, o candidato afirmou que pretende ampliar a construção de moradias populares e utilizar o programa Minha Casa, Minha Vida Cidades.

“Nosso plano de governo prevê a realização de obras de moradias populares, habitação de interesse social e o programa Minha Casa, Minha Vida Cidades, que permite, inclusive, a construção de conjuntos habitacionais voltados para pessoas que podem pagar uma parcela subsidiada através desse programa”, afirmou.

Alan também defendeu a retirada de famílias de áreas de risco e a realização de obras de urbanização.“Vamos tirar as pessoas das áreas de risco para podermos reestruturar o Igarapé São Francisco e fazermos as orlas dos nossos rios em todo o Estado do Acre. Vamos trabalhar gerando emprego com a nossa construção civil local”, declarou.

Dr. Luizinho também abordou o tema e citou recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Ministério das Cidades.“O PAC tem muito dinheiro. O Ministério das Cidades tem muito dinheiro para estruturar as cidades do Brasil. Nós temos um déficit habitacional de 30 mil famílias”, afirmou.

O candidato voltou a defender a criação de um Banco de Desenvolvimento Econômico como parte de seu plano de governo.

Combate à corrupção

Dr. Luizinho debateu corrupção com Bocalom e classificou o problema como um dos principais desafios da administração pública.

“A corrupção é um câncer, não só do Estado do Acre, mas do Brasil inteiro. Eu quero dizer para você que esse câncer tem que acabar. Nós temos que ter um governo íntegro, capaz de colocar o recurso no seu devido lugar”, declarou.

Segundo Luizinho, o combate à corrupção deve envolver diferentes instituições e também a sociedade.“Essa responsabilidade não é só do Executivo. Ela é do Legislativo, do Judiciário, do cidadão, da sociedade organizada, é de todos nós, porque o dinheiro é nosso”, afirmou.

Bocalom concordou que a corrupção deve ser combatida e citou sua experiência à frente da Prefeitura de Rio Branco.

“Eu acredito que o candidato está na linha correta. O grande câncer que nós temos na gestão pública é a corrupção. E eu acabei com isso na Prefeitura de Rio Branco”, afirmou.

Bocalom também fez críticas à administração estadual e relatou, como alegação, a existência de cobranças indevidas relacionadas a contratos de obras.

“Os empresários mesmo hoje agradecem ao Bocalom, porque antigamente, quando se fazia uma obra, só se recebia se deixasse lá a sua parte, os 10%, 20%, 30%. E isso está acontecendo hoje no governo do Estado”, declarou.

No terceiro e último bloco do debate, os candidatos voltaram a responder perguntas livres e discutiram temas como agricultura, violência contra a mulher, desenvolvimento econômico, criminalidade, valorização dos servidores públicos, obras, corrupção e Previdência Estadual.

Agricultura

Alan Rick e Tião Bocalom discutiram propostas para o setor agrícola. Alan defendeu o fortalecimento da produção rural por meio de investimentos em mecanização, assistência técnica, regularização fundiária e recuperação de ramais.

“A produção da nossa agricultura é uma grande potência, porque o Acre produz bem. Inclusive, os nossos produtores rurais protegem e conservam o meio ambiente. Nós vamos investir cada vez mais em mecanização”, afirmou Alan.

O candidato destacou recursos destinados durante sua atuação parlamentar para a aquisição de equipamentos e atendimento a produtores.

“Nós, como senador e deputado federal, colocamos milhões de reais para entregar equipamentos ao produtor rural. Entregamos tratores de pneu, escavadeiras hidráulicas, ajudamos cooperativas, associações de produtores rurais, da agricultura familiar e pequenos produtores”, declarou.

Alan também afirmou que cerca de 650 famílias em Cruzeiro do Sul recebem assistência técnica por meio de emendas parlamentares e citou uma parceria com a Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco, para atender outras 400 famílias da agricultura familiar e orgânica.

“Temos que colocar cada vez mais investimento nos ramais, mecanização, assistência técnica, regularização fundiária e acabar com os embargos. Os nossos produtores das reservas estão sofrendo. Então, investir na agricultura é investir no crescimento econômico”, afirmou.

Bocalom concordou com a necessidade de fortalecer o setor e defendeu investimentos do Estado para apoiar pequenos produtores.

“Eu sempre tenho dito o seguinte: campo rico, cidade rica; campo forte, cidade forte. Basta olhar os exemplos que nós temos em Mato Grosso e em qualquer lugar deste país. Então, não tenho dúvida de que nós vamos fazer investimentos pesados”, disse.

Segundo Bocalom, o governo precisa oferecer condições para que agricultores familiares tenham acesso a insumos e equipamentos.

“O agricultor familiar não tem condições de comprar uma carreta de calcário, não tem condições de comprar um caminhão carregado de adubo. Então, o Estado precisa fazer esse primeiro trabalho. O agricultor familiar não consegue comprar um trator. Então, é responsabilidade do governo do Estado poder fazer isso”, afirmou.

O candidato também defendeu a revitalização da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Acre (Emater-AC).

“Só poderá ser feito isso se nós tivermos uma estrutura pronta, primeiro de tudo, assistência técnica, que nós vamos revitalizar a nossa querida Emater. Então, tenha certeza: nossa agricultura familiar vai poder produzir o que quiser, porque nós queremos que você tenha dinheiro no bolso”, declarou.

Violência contra a mulher

Alan Rick debateu violência contra a mulher com Thor Dantas. O candidato do PSB defendeu a ampliação das políticas de proteção e destacou a necessidade de enfrentar também a dependência econômica.

“É uma vergonha, é um dos temas que a gente tem como uma vergonha estadual: a violência contra a mulher. Eu cresci em um ambiente cuidado por mulheres. Sou filho de uma mãe que criou sozinha quatro filhos. Fui alfabetizado pela minha avó quando tinha seis anos de idade”, afirmou Thor.

O candidato defendeu delegacias especializadas, ações de prevenção e educação, além de políticas de autonomia financeira.

“A mulher precisa de proteção, ao mesmo tempo, da polícia, com delegacias especializadas no combate ao crime. A gente precisa valorizar a cultura de respeito à mulher, trazendo esse tema para dentro das escolas. Mas precisamos também oferecer facilidade econômica para as mulheres”, declarou.

Alan Rick respondeu defendendo o fortalecimento da estrutura de atendimento.

“Esse é um dado que nos entristece, e o atual governo apenas aumenta, eleva os números da violência contra a mulher. Não abriram sequer uma nova delegacia de apoio às mulheres. A atual Delegacia de Proteção à Mulher também precisa de mais delegados e mais agentes”, afirmou.

Alan citou ainda as patrulhas Maria da Penha e as casas-abrigo como mecanismos de proteção às mulheres em situação de violência e defendeu investimentos em capacitação profissional e empreendedorismo feminino.“A defesa da mulher será uma prioridade do nosso governo, não só com novas delegacias, patrulhas Maria da Penha e abrigos estruturados para atender a mulher em situação de vulnerabilidade e ameaça, mas, acima de tudo, garantindo que as mulheres tenham cursos profissionalizantes”, afirmou.

O candidato também criticou a atual administração estadual e fez referências a ex-integrantes do governo. Essas afirmações foram apresentadas por ele durante o debate.

Bocalom também abordou o tema e defendeu ações de proteção às mulheres.“A mulher não pode ser de jeito nenhum judiada. Homens que maltratam mulheres, nós temos que jogar duro com esses homens. Esses homens não podem ficar impunes. Nós temos que cuidar dessas mulheres”, declarou.

O candidato citou ainda a Casa Rosa Mulher e afirmou que mais de 700 mulheres são atendidas pelo serviço.

Desenvolvimento econômico

Thor Dantas debateu com Dr. Luizinho sobre desenvolvimento econômico e infraestrutura. Thor criticou a condução das políticas de desenvolvimento no Estado e defendeu a criação de um Banco de Desenvolvimento Econômico.“Nós não tivemos governo. Nós tivemos um Estado no piloto automático. Nós não tivemos infraestrutura em nada. O mais importante é quando você vai aos outros estados e vê o desenvolvimento econômico e a infraestrutura”, afirmou.

Segundo Thor, o banco teria a função de financiar projetos estruturantes.“Já que temos um Estado endividado, precisamos de um instrumento financeiro específico que possa colocar dinheiro dentro dos programas de infraestrutura estruturante desse Estado”, declarou.

O candidato também citou problemas relacionados a enchentes e ao isolamento de municípios.

Na sequência, Thor defendeu maior planejamento na administração pública e a criação de mecanismos de acompanhamento das ações.“A gente precisa valorizar o plano. O candidato às vezes fala, mas a prática, sem um bom plano e sem uma equipe técnica, acaba virando desperdício. A gente precisa de plano e de gente que consiga se orientar no plano e transformar, através de profissionais técnicos, a ideia do gestor em algo concreto para a população”, afirmou.

Thor também propôs a criação de um banco de projetos e de um painel de indicadores.

“A gente quer que o nosso governo seja fiscalizado. A gente quer que toda a população veja o que nós estamos fazendo, com métodos, indicadores e responsáveis”, disse.

Criminalidade e corrupção

Dr. Luizinho debateu com Eudo Raffael sobre criminalidade e corrupção. Luizinho defendeu o combate ao crime organizado por meio de inteligência policial e ações preventivas.“É tratando o problema da criminalidade lá na base, na raiz dela, onde nasce a criminalidade. A gente precisa acabar com a falta de viatura e a falta de gasolina, porque o cidadão comum, quando precisa, não é atendido pela polícia”, afirmou.

O candidato também defendeu o uso de inteligência para antecipar crimes e rastrear recursos de organizações criminosas.“A gente precisa que as polícias trabalhem com inteligência, que trabalhem para antecipar o crime, que busquem o dinheiro. A gente precisa de inteligência para combater o crime organizado”, declarou.

Luizinho também citou educação, esporte, cultura, tecnologia e geração de emprego como medidas de prevenção à criminalidade.

Eudo Raffael defendeu a geração de emprego e renda como uma das principais políticas sociais.“É a partir daí que nós vamos acabar, eliminar ou reduzir a criminalidade, gerando emprego, dinheiro e oportunidade para os jovens e para qualquer cidadão”, afirmou.

Eudo também destacou o combate à corrupção como uma prioridade.“O maior crime de uma sociedade é o do colarinho branco, que rouba da saúde, que rouba da educação, que mata idosos, que mata crianças com fome, que mata em vida sem merenda escolar, que mata sem remédio. Esse é o crime que nós temos que combater, em primeiro lugar”, declarou.

Servidores públicos

Eudo Raffael questionou Bocalom sobre propostas para a educação e os servidores públicos e relembrou episódios envolvendo trabalhadores durante a gestão municipal.

Bocalom afirmou que pretende valorizar os servidores e citou experiências anteriores à frente de prefeituras.“Eu quero dizer para você, servidor que está me vendo: o mesmo que eu fiz aqui, fiz também em Acrelândia. Para mim, a valorização do trabalhador é fundamental para que a gente tenha bons resultados”, afirmou.

O candidato disse ainda que eventual reajuste ou regularização de pendências dependerá da situação financeira do Estado.“É preciso saber como está realmente a situação econômica do Estado para a gente poder fazer esses ajustes. E não tenho dúvida nenhuma do que vamos fazer. Então, tenha certeza de uma coisa: aqui, o médico vai ser mais bem tratado, o gari vai ser mais bem tratado”, declarou.

Bocalom também contestou acusações relacionadas a um episódio envolvendo garis e policiais durante sua gestão municipal.

Eudo rebateu a versão apresentada pelo adversário.“Uma mentira falada mil vezes não vai virar verdade. Ela vai continuar sendo mentira. Mas precisa de alguém para desmascarar”, afirmou.

O candidato também defendeu a valorização dos servidores e a estruturação das carreiras públicas.

Obras e controle dos recursos públicos

Eudo Raffael debateu com Alan Rick sobre obras públicas e mecanismos de fiscalização.

“A melhor forma de combater a corrupção é com transparência, é com órgãos de controle controlados pelo movimento social”, afirmou.

Eudo defendeu a participação da sociedade no acompanhamento da aplicação dos recursos públicos e propôs o fortalecimento dos mecanismos de controle social.“O primeiro passo é criar órgãos de controle social para todas as obras e para todo o dinheiro público que sai”, declarou.

O candidato também criticou o modelo de emendas parlamentares e defendeu mudanças na distribuição e fiscalização desses recursos.

Alan Rick, por sua vez, criticou obras que, segundo ele, estão paralisadas ou foram executadas apenas parcialmente.“Olha, o atual governo abandonou várias obras. Para você ter ideia, o Hospital João Câncio Fernandes, em Sena Madureira, teve R$ 14 milhões em emendas destinadas, e até hoje a obra não foi entregue”, afirmou.

Alan também citou o Hospital de Feijó e a nova maternidade de Rio Branco.“O Estado tem mais de R$ 1,2 bilhão de restos a pagar, ou seja, dinheiro que vem de recursos federais e de emendas parlamentares que não aplica, que não consegue gerar a obra e, dessa forma, deixa de gerar emprego e renda”, declarou.

Ao final da fala, Alan fez acusações de corrupção contra a atual administração estadual. As afirmações foram feitas durante o debate e não foram acompanhadas, no momento da fala, de documentos apresentados no programa.

Previdência estadual

Thor Dantas e Eudo Raffael também debateram a situação da Previdência do Acre.

Thor afirmou que a saída de jovens e a falta de geração de empregos pressionam a economia estadual.“A base dos jovens que produzem a nossa economia está indo embora. A nossa economia está parada, ela não anda. A gente não cria emprego, não cria desenvolvimento no nosso Estado”, afirmou.

O candidato defendeu a industrialização da economia, a qualificação profissional e a atração de investimentos.“A gente precisa urgentemente botar o nosso Acre no rumo do desenvolvimento, gerar capacidade de emprego e renda local, industrializar nossa base econômica, qualificar nossas invenções para os empregos do futuro, atrair investimentos externos para cá e fazer a nossa conexão com o Pacífico”, declarou.

Eudo Raffael criticou os efeitos das reformas previdenciárias realizadas em âmbito nacional e estadual e defendeu uma auditoria no sistema.“Falaram que a reforma da Previdência do Bolsonaro, de 2019, ia solucionar o problema do país e diminuir o gasto com os aposentados. Essa reforma nacional que Bolsonaro fez em Brasília, nós sofremos a reverberação dela aqui com a reforma do Gladson Cameli, também em 2019 e 2020”, afirmou.

Segundo Eudo, a contratação de trabalhadores temporários e terceirizados também influencia o déficit previdenciário.“Hoje o déficit aumenta porque os trabalhadores são provisórios, são terceirizados, não contribuem para a Acreprevidência. A gente precisa ter uma auditoria da Previdência”, concluiu.

Fonte: ac24horas.com

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