O crime organizado entrou de vez no radar das eleições de 2026 na Região Norte. Um levantamento nacional mostra que o Amapá está entre os seis estados brasileiros onde o Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou impugnações de candidaturas por suspeitas de vínculos com organizações criminosas.
Segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo, foram identificadas 23 impugnações em todo o país relacionadas a conexões com facções criminosas ou milícias. O Amapá aparece com um caso, ao lado de Rio de Janeiro, Paraíba, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Bahia.
O número pode parecer pequeno diante do total nacional, mas o caso ganha peso diante do histórico recente de denúncias sobre a tentativa de grupos criminosos de exercer influência política e controlar territórios no estado.
Amapá sob alerta
Em julho, o próprio Ministério Público Eleitoral recomendou aos partidos políticos do Amapá que adotassem mecanismos para impedir a entrada de pessoas ligadas ao crime organizado no processo eleitoral. Entre as medidas estão a análise do histórico dos pré-candidatos, exigência de certidões criminais e atenção a possíveis financiamentos de origem ilegal.
O cerco aumentou ainda mais em agosto, quando o TRE-AP cassou o diploma de um suplente de vereador de Macapá e aplicou inelegibilidade por oito anos em processo que envolveu abuso de poder econômico e controle territorial de uma facção criminosa nas eleições de 2024. Segundo o tribunal, provas apontaram articulação de apoio político com lideranças da Família Terror do Amapá (FTA).
Norte entra no foco das autoridades
O cenário coloca o Amapá no centro de uma preocupação maior: a possível infiltração do crime organizado na política por meio de controle territorial, compra de votos, coação e articulação eleitoral.
A situação também chama atenção porque o MP Eleitoral já apresentou dezenas de contestações de candidaturas no estado por diferentes motivos. Em agosto, o órgão informou inicialmente 17 impugnações, número posteriormente atualizado para 18 registros contestados.
Embora o levantamento nacional tenha identificado apenas uma impugnação relacionada especificamente ao crime organizado no Amapá, o episódio mostra que a disputa eleitoral na região Norte está sob vigilância reforçada.
A preocupação não é apenas com quem aparece nas urnas, mas com quem pode estar por trás de determinadas candidaturas e quais interesses podem tentar transformar territórios dominados pelo crime em currais eleitorais.
Importante destacar que uma impugnação não significa condenação criminal. Cabe à Justiça Eleitoral analisar cada caso e decidir se a candidatura poderá ou não seguir na disputa.
Fonte: Folha de S.Paulo e Ministério Público Federal.
Fonte: ac24horas.com
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