Um casal de Rio Branco desenvolveu um aplicativo de celular que combina a mecânica do clássico jogo 2048 com curiosidades sobre a fauna brasileira. Batizado de “Olha o Bichim!”, o app foi lançado em 2 de maio e, em entrevista ao ac24horas nesta segunda-feira (17), os criadores contaram os detalhes do processo de criação.
O aplicativo foi desenvolvido por Giuliano Cardoso Feitosa Miranda, analista de sistemas há 12 anos e servidor público federal. Ele é cofundador da “Catraia Aplicativos”, empresa que já mantém há uma década o “Reforma Simples”, voltado ao nicho da construção civil. A ideia do novo projeto surgiu quando Giuliano decidiu recriar, de forma estilizada, um jogo já existente, o 2048.
A concepção temática partiu de Risoleta Miranda, escritora e servidora pública estadual, esposa de Giuliano. Segundo ela, a inspiração para o nome veio durante uma corrida na pista do Ipê, em Rio Branco, ao observar crianças admirando capivaras. “Olha o bichinho, mãe!”, disse uma delas, frase que deu origem ao título do jogo.
A partir dessa cena, Risoleta propôs que cada número do jogo representasse um animal dos biomas brasileiros. “O que ajudaria pra que o jogo fosse lúdico e compreensível até para crianças não alfabetizadas”, afirmou. A dinâmica consiste em alinhar números iguais, que se combinam em progressão geométrica até formar o valor 2048, representado pela ‘Capivara Lendária’. “A intenção é que, através de um jogo de cunho educativo, a pessoa estimule áreas como matemática e até mesmo biologia”, explicou.
O jogo conta com uma seção de “Coleção”, com 13 animais a serem descobertos ao longo das partidas, entre eles tanajura, lobo-guará, sapo-cururu, tucano, sagui, preguiça, mico-leão-dourado, boto-cor-de-rosa, onça-pintada, sucuri, capivara, peixe-boi e capivara. Ao tocar em cada animal, o jogador acessa um resumo com curiosidades sobre a espécie. Risoleta destacou a inclusão de animais pouco associados a personagens “fofos”, como a sucuri e o peixe-boi. “Fiz o design dos animais nesse tom mais ‘fofinho’, com uma certa expressividade humanoide, para gerar uma simpatia por parte do jogador, principalmente das crianças”, disse.
A divisão de tarefas seguiu um padrão. Risoleta desenvolveu as regras dos animais, o sistema de moedas, os itens facilitadores, a ideia do ranking e o desenho dos personagens, enquanto Giuliano transformou o conteúdo em programação. “A gente foi pensando em tudo com cuidado, nos sons, na imagem do animal em cada local, a cor das letras, a cor das ‘vidas’, tudo foi testado para manter uma jogabilidade prazerosa”, relatou.
Segundo o casal, o desenvolvimento do aplicativo levou dois meses e foi feito integralmente em casa, com apoio de uma equipe de testes formada por conhecidos. O animal mais difícil de reproduzir visualmente, segundo Risoleta, foi o boto-cor-de-rosa. “A IA não entendia que o boto não é literalmente rosa, mas sim que a pele dele é transparente em certo ponto, de vermos os vasos sanguíneos dele. Até chegar nesse ponto, foram vários testes e prompts”, contou.
O “Olha o Bichim!” está disponível gratuitamente para Android e iOS e pode ser jogado on-line ou off-line. De acordo com os desenvolvedores, é possível concluir o jogo sem realizar nenhuma compra interna, já que a única forma de monetização é por meio da venda de itens e de anúncios. O projeto foi custeado com investimento próprio do casal, sem patrocínio, e a divulgação tem sido feita por meio de indicação boca a boca, com pedidos diretos a amigos, colegas de trabalho e conhecidos. Até a data da entrevista, o aplicativo somava 115 contas ativas.
Para Risoleta, participar da criação do jogo trouxe uma perspectiva nova sobre um universo do qual ela já era consumidora. “É uma experiência nova, acompanhar a construção de algo que eu gosto de usufruir, que são os jogos para celular. Estar do lado de quem idealiza, entender as necessidades e técnicas para jogos, design, testes, jogabilidade, foi algo completamente diferente pra mim, o que me deu uma visão mais crítica e também responsável de como idealizar um jogo”, afirmou.
Segundo ela, a preocupação da equipe também envolveu a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a prevenção de vícios e do tempo excessivo de tela, especialmente entre jogadores infantis. “Agora estar nos bastidores de uma obra assim é algo enriquecedor, e foi muito legal. Eu jogo o meu joguinho. Estou toda semana disputando o ranking com os outros jogadores”, contou.
Giuliano também destacou o caráter desafiador do projeto. “Foi interessante, fazia muito tempo que eu não desenvolvia um jogo e eu nunca havia feito um para smartphones, então foi desafiador, o que era justamente o que eu buscava, o objetivo era tentar algo novo mesmo. Fico feliz de ter conseguido e agora ter um jogo como esse nas lojas de aplicativo de Android e iOS”, disse.
Mais informações sobre o jogo estão disponíveis no site oficial, olhaobichim.com.br.
Fonte: ac24horas.com
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