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Médico Fabrício Lemos alerta para riscos de medicamentos piratas usados para emagrecer

07/08/2026 3 views 6 min de leitura

O médico Fabrício Lemos alertou durante entrevista na Expoacre na noite desta sexta-feira, 07, para os riscos do uso indiscriminado de medicamentos, especialmente os utilizados no processo de emagrecimento. O profissional destacou a necessidade de acompanhamento médico, criticou a comercialização de produtos falsificados e afirmou que o objetivo de um tratamento para obesidade deve ser promover a perda de peso sem comprometer a saúde.

Segundo Fabrício, a obesidade precisa ser encarada como uma doença que é tratada de maneira adequada. Ele afirmou que o avanço das chamadas “canetas” de emagrecimento aumentou a procura por tratamentos, mas também trouxe preocupações relacionadas ao uso sem orientação.

“É um acompanhamento, é critério, é urgente. É um acompanhamento. Se eu falar para você, eu saí de uma doença, que é uma das piores doenças que existe, um dos centros das doenças, que é a obesidade”, afirmou.

O médico destacou que a obesidade está associada a uma série de problemas de saúde e defendeu que o emagrecimento seja acompanhado por profissionais.

“Quando você começa a trabalhar com critério dela, você sai doente, fica 100% saudável. Tem gente que emagrece e sai doente. Fica com cara de necário, cara de oncológico. Não. Quando você faz o tratamento correto, e tem obesidade correta, você sai muito depressa”, disse.

Fabrício também afirmou que atualmente a medicina trabalha com diferentes estratégias para redução de peso e citou as chamadas canetas como parte desse processo.“Hoje, nós trabalhamos a barriga química. Que é, hoje, a base das canetas”, declarou.

Apesar do avanço dos tratamentos, o médico reforçou que o uso desses medicamentos não deve ocorrer de forma indiscriminada. Para ele, a busca pelo emagrecimento precisa estar associada a uma avaliação individual e ao acompanhamento profissional.

“Não adianta você emagrecer e ficar doente. A minha ideia é você emagrecer e ficar saudável”, afirmou.

Outro ponto de preocupação levantado durante a entrevista foi a mistura de medicamentos, suplementos e bebidas alcoólicas. Fabrício explicou que o organismo funciona como um sistema complexo e que diferentes substâncias podem interagir entre si. “A pessoa esquece que o corpo é um laboratório, um fígado. E aí começa a fazer interação logo com as medicações”, afirmou.

O médico contou ainda ter atendido recentemente uma pessoa que não consumia álcool nem fumava, mas fazia uso combinado de diferentes medicamentos e apresentou um quadro grave. “Essa semana eu atendi uma pessoa muito conhecida, nunca bebeu, nunca fumou nada, misturava medicamentos com medicamentos. Estava feio, estava com retorno, estava mal”, relatou.

Foto: Jardy Lopes/ac24horas

Para Fabrício, o uso indiscriminado de medicamentos representa um problema que pode gerar consequências graves. “A sociedade tem de pagar um preço por causa desses medicamentos piratas, por causa dessa mistura de medicamento, pelo uso indiscriminado de medicamentos”, declarou.

Fabrício Lemos também demonstrou preocupação com a circulação de medicamentos falsificados utilizados principalmente por pessoas que buscam emagrecer rapidamente. Segundo ele, o problema da pirataria de medicamentos tem ganhado proporções preocupantes.

“É fantástico. Eu me especulava na semana passada, o que mais saiu daquelas grandes reportagens foi a pirataria vindo do Paraguai e a produção de medicamento no mundo”, afirmou.

O médico citou a descoberta de laboratórios clandestinos e produtos que seriam preparados para receber substâncias como insulina.

“Pegaram mais de mil ampolas prontas para ser colocado água, semaglutida, insulina, que é o que eu vou falar agora. O efeito disso é que chega a emagrecer um pouco, a insulina, é verdade”, disse.

Segundo Fabrício, o problema está nas consequências que podem surgir posteriormente, especialmente quando o paciente interrompe o uso do produto.

“Eu, hoje, na minha experiência médica, tenho visto, a maioria das pessoas com indicação pirata entrando em um tipo de insuficiência de tireóide. Mas sabe o que acontece? Ela está tomando medicamento e está emagrecendo. Quando ela para, vem um tom de tireoide, de gordura gigante, de um monte de comorbidade, um monte de gordura”, afirmou.

Durante a entrevista, ele também relatou ter observado a circulação desses produtos fora dos canais regulares de comercialização.

“Não é para você não emagrecer, não usar a canetinha, não é isso, mas usar como acompanhamento, direcionamento. E não comprar de qualquer pessoa”, reforçou.

Fabrício ainda mencionou o Paraguai ao falar sobre a entrada de medicamentos no país e fez um alerta para a necessidade de atenção à procedência dos produtos.

“Tem muitos medicamentos, tem um laboratório bom, mas o problema é que saem de lá, chegam de uma forma legal, dentro de ônibus, dentro de tanque de combustível, vêm de lá, porque eles vêm recarregados. É isso mesmo. Então você tem que ter cuidado”, declarou.

O médico afirmou que a preocupação central deve ser a saúde do paciente e não apenas a redução do número na balança.

“Gente, não é? Porque a gente trabalha com isso. A gente está preocupado com isso. A gente está preocupado com a saúde da pessoa. Não adianta você emagrecer e ficar doente. A minha ideia é você emagrecer e ficar saudável. A saúde não é só questão de peso. É questão de ter cuidado”, afirmou.

Além da questão dos medicamentos e do emagrecimento, Fabrício Lemos também chamou atenção para os impactos do excesso de telas e da tecnologia na saúde mental. Segundo o médico, a sociedade vive uma expansão dos transtornos de ansiedade e outros problemas relacionados à saúde mental. Ele afirmou que psiquiatria e geriatria estão entre as áreas que mais devem ganhar importância na medicina nos próximos anos.

“Hoje, quem sabe da pandemia, a gente vive a maior catástrofe dos últimos séculos. Isso é o mundo da ansiedade, do transtorno. Você vê que todo mundo tem alguma coisa”, declarou.

Para Fabrício, o avanço da tecnologia alterou hábitos de sono e comportamento “Por causa desse boom de telas, por esse boom de tecnologia. Hoje está no celular, está com o telefone conectado, com a Alexa do lado, com a TV ligada”, afirmou.

O médico relacionou ainda o excesso de estímulos ao aumento de problemas entre as novas gerações. “Você sabe qual é a taxa de suicídio hoje? Todo dia no hospital tem tentativa de suicídio”, disse.

Na avaliação de Fabrício, o excesso de estímulos e a busca por recompensas rápidas também fazem parte do problema. “É muita dopamina barata”, afirmou.

Ao final da entrevista, o médico reforçou que o tratamento para emagrecimento deve ser encarado como uma questão de saúde e não apenas estética, com avaliação profissional, acompanhamento e atenção à procedência dos medicamentos. “Não adianta você emagrecer e ficar doente. A minha ideia é você emagrecer e ficar saudável”, reiterou.

Fonte: ac24horas.com

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