Filipe Bragança, o protagonista João Raul de Coração Acelerado, tenta achar culpados para o desempenho decepcionante da novela das sete, tanto em audiência quanto em repercussão. Na reta final do folhetim da Globo, o ator reconhece que a história “tem questões”, mas acredita que ela também enfrenta um preconceito do público.
“Acho que [o sertanejo] é um gênero que muita gente tem um certo preconceito. Eu percebo, nas redes sociais, parte do público rejeitando a novela pelo simples fato de tratar do universo sertanejo. E eu acho isso um grande equívoco, porque é um gênero muito importante, é riquíssimo musicalmente e historicamente, faz parte da regionalidade do nosso país. Acho muito importante que essa novela exista homenageando a música sertaneja dessa maneira, homenageando o estado de Goiás, o Centro-Oeste”, defendeu ele, em conversa com o Notícias da TV nos Estúdios Globo.
Em maio, durante o evento de inovação Rio2C, um painel patrocinado pela Globo e intitulado Cultura no Espelho apresentou um levantamento que indica o porquê de a emissora líder de audiência ter apostando com tanta confiança que o tema sertanejo poderia engajar o público.
O estudo da Globo e da Quaest, um desdobramento da pesquisa Brasil no Espelho, revelou que 25% dos brasileiros não sabem definir o que é “cultura”. Culinária e música são os principais pontos de consenso. E, apesar de o samba ser lembrado como identidade nacional, o sertanejo e o gospel dominam as playlists reais.
Contudo, o fiasco de Coração Acelerado indica que nem sempre os dados frios de um levantamento especializado encontraram respaldo no que o público está interessado em consumir no momento. Bragança admitiu que a novela também “tropeçou” –o que não ajudou a melhorar o cenário.
“Acho que [a novela] tem questões. Qualquer novela, por se tratar de uma obra aberta e muito longa, pode ter as suas irregularidades, os seus tropeços, ela pode demorar um pouco para encontrar o tom mais adequado para se comunicar com o público”, apontou.
“Eu acho que isso é um processo natural, toda novela passa por isso, sobretudo hoje em dia, porque a gente está falando de uma época em que as pessoas estão muito distraídas. É muito difícil que o público se apaixone, se engaje por uma produção, por uma história específica, eu acho que é natural de qualquer novela”, reconheceu o ator.
“Mas acho que o público só cresceu, o que eu observei foi isso, e isso é um sintoma muito claro de qualquer novela, nenhuma novela hoje em dia tem estreado muito bem. A gente sabe disso. Mas esse é o novo padrão, eu pelo menos enxergo assim, a gente não vai ter novelas com audiências de décadas atrás. De 10 anos atrás, a gente não precisa ir muito longe”, minimizou.
Para o ator, para além do preconceito do público e dos eventuais tropeços da trama, o grande culpado é a oferta diversa de entretenimento, que deixa o cenário ainda mais competitivo para as produções televisivas. “Eu acho que o público tem cada vez mais acesso a outras opções de entretenimento, a novela é mais uma delas, a gente está falando de uma novela que trata de um universo específico, então nem todo mundo vai querer conhecer mais sobre esse universo, nem todo mundo vai se atrair tanto”, disse ele.
“Mas eu acho que o fato é que a nossa novela conseguiu honrar o tema, os personagens, o universo, a região em que se passa a história, porque eu sou de lá, eu fico muito feliz de reconhecer isso. Então, eu acho que, sim, [a novela teve] talvez alguns tropeços ao longo do caminho, mas eu acho que a gente conseguiu fazer uma novela muito bonita, e eu me orgulho muito”, contou.
Mocinho controverso
Além de ter que defender uma trama com mais pontos baixos do que altos, Filipe Bragança também precisou sustentar um dos protagonistas mais controversos da teledramaturgia recente. O Mozão do Brasil gerou certa rejeição do público devido às suas atitudes machistas e tóxicas contra a mocinha Agrado (Isadora Cruz).
Mesmo que tudo indique que o casal, aos trancos e barrancos, deve viver um “final feliz”, Bragança adiantou que o desfecho ainda pode pegar o público de surpresa. “O final é surpreendente. Não acontece uma coisa que supostamente deveria acontecer, como acontece em toda novela. E eu gosto quando as expectativas são subvertidas”, provocou.
“Eu fiquei muito feliz que pelo menos tem uma coisa diferente. Eu acho que é um desfecho diferente para esse casal. Eu percebo que a galera gosta muito [de Agrado e João Raul]. Eu, particularmente, adoro o João Raul com a Naiane [Isabelle Drummond] também, eu acho superdivertido, mas as pessoas gostam muito do João Raul com a Agrado. Conseguimos criar uma parceria com muita química, com muita dinâmica”, contou ele.
Fonte: ac24horas.com
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