Acre

Paciente acreana cadeirante está em Brasília após alta por falta de passagens do TFD, denuncia mãe

13/07/2026 2 views 5 min de leitura

A professora Laelia Occhi vive um drama desde a última sexta-feira (10), em Brasília (DF), após a filha, Kelen Regina Muniz Occhi, de 30 anos, receber alta médica da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação. Segundo a mãe, elas permanecem na capital federal porque o Tratamento Fora do Domicílio (TFD) ainda não emitiu as passagens de retorno para Rio Branco.

De acordo com Laelia, toda a documentação exigida foi enviada ao TFD logo após a alta hospitalar, ocorrida na quinta-feira (9). No entanto, a resposta recebida foi de que o sistema responsável pela emissão das passagens estaria inoperante.

Kelen realiza tratamento na Rede Sarah desde os seis anos de idade. Ela apresenta sequelas de mielomeningocele lombar alta corrigida cirurgicamente, hidrocefalia compensada com derivação ventriculoperitoneal, além de diagnósticos de paraplegia flácida, bexiga neurogênica e intestino neurogênico. A paciente também passou por uma cistoenteroplastia em 2003.

“Sempre conseguimos voltar logo após a alta”

Segundo Laelia, durante quase três décadas de acompanhamento da filha na unidade hospitalar, nunca havia enfrentado dificuldades para retornar ao Acre. “A Kelen faz tratamento no Sarah desde os seis anos de idade. Todo ano o TFD libera as passagens para a gente vir e voltar. Neste ano, cheguei em Brasília no dia 5, ela foi atendida nos dias 7, 8 e 9, e no mesmo dia da alta enviei o relatório ao TFD. A resposta foi que o sistema estava inoperante. Desde então estou tentando voltar para Rio Branco e não obtenho resposta”, relatou.

A mãe conta que o filho foi pessoalmente ao setor do TFD e, posteriormente, à Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), em busca de informações.

Segundo ela, o retorno recebido foi de que a empresa responsável pela emissão das passagens estaria sem receber repasses do governo estadual. “O que informaram ao meu filho foi que o governo não fez o repasse para a empresa que emite as passagens e que não sabem quando será possível nosso retorno para casa”, afirmou.

Orçamento esgotado

Laelia explica que viajou com recursos suficientes para permanecer apenas cinco dias em Brasília, período normalmente necessário para o tratamento.

Desde a alta médica, porém, ela afirma que precisou arcar com despesas extras de hospedagem e alimentação, comprometendo completamente o orçamento da família.“Fiz um orçamento para ficar apenas cinco dias. Desde sexta-feira estou pagando hotel fora do que planejei. O hotel oferece apenas café da manhã e, por causa das despesas, estamos fazendo praticamente uma refeição por dia. Eu sou professora, tenho minha renda, mas organizei toda a viagem dentro das minhas possibilidades. Não tenho condições de comprar as passagens agora.”

Ainda segundo Laelia, seu filho teria recebido a orientação de que ela comprasse as passagens com recursos próprios e, posteriormente, buscasse o reembolso por meio do Ministério Público. “Disseram para o meu filho que eu comprasse as passagens e, quando chegasse ao Acre, procurasse o Ministério Público para tentar o reembolso.”

Paciente é cadeirante

A mãe destaca que a situação é ainda mais delicada em razão das limitações físicas da filha.“É uma situação muito difícil. Minha filha é cadeirante e até para nos locomovermos enfrentamos dificuldades. Na sexta-feira poderiam ter falado a verdade, se realmente havia problema com os repasses. Quem sofre com essa situação somos nós.”

Família denuncia descaso

A irmã de Kelen, Lana Occhi, também se manifestou nas redes sociais, classificando o episódio como inédito e lamentável. Segundo ela, em quase 30 anos de tratamento na Rede Sarah, nunca houve atraso na emissão das passagens de retorno.

Lana afirmou que, além da falta de passagens, a família precisou assumir despesas inesperadas com hospedagem e alimentação. Ela também disse que, inicialmente, o problema foi atribuído à indisponibilidade do sistema, mas posteriormente teria sido informada de que a empresa responsável pela emissão das passagens estaria sem receber pagamento do Estado.“Minha irmã teve alta na quinta-feira e estamos aguardando desde então a emissão das passagens. Nunca aconteceu isso em quase 30 anos de tratamento. Minha mãe está pagando hotel e alimentação porque não consegue voltar para casa. É uma situação de total descaso”, declarou.

Sesacre aguarda informações do setor administrativo

Procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informou que não foi possível obter esclarecimentos sobre o caso ainda nesta segunda-feira (13).

Segundo a pasta, o setor administrativo responsável pelo sistema já havia encerrado o expediente e a servidora responsável não estava mais disponível para prestar informações. A Sesacre informou ainda que deverá buscar os dados junto ao setor competente na manhã desta terça-feira (14) para se posicionar oficialmente sobre a situação.

Veja o vídeo:

Fonte: ac24horas.com

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