Entre tecidos, maquiagem, acessórios e peças feitas artesanalmente, a arte do cosplay exige criatividade, dedicação e bastante investimento. Nesta segunda-feira (25), data em que se comemora o Dia Internacional do Orgulho Nerd, o portal de notícias ContilNet procurou saber dos cosplayers acreanos quanto, em média, é gasto para produzir figurinos e dar vida a personagens famosos da cultura pop.
O termo “cosplay” surgiu no Japão, em 1984. A palavra foi criada pelo jornalista japonês Nobuyuki Takahashi após visitar a Worldcon (World Science Fiction Convention), nos Estados Unidos.
Ele observou fãs vestidos como personagens de filmes, quadrinhos e séries, mas acreditou que a expressão em inglês “costume play” (“interpretação com fantasia”) seria longa demais para o japonês. Então, uniu as palavras “costume” (fantasia) e “play” (interpretar/brincar), nascendo assim o termo cosplay.
No Brasil, o cosplay começou a se popularizar nos anos 1990, junto com o crescimento dos eventos de anime e cultura japonesa. Um dos principais responsáveis por essa expansão foi a chegada dos animes na televisão aberta, com sucessos como Dragon Ball Z, Cavaleiros do Zodíaco, Naruto e Pokémon.
Já no Acre, a popularização aconteceu de forma mais gradual, principalmente a partir da década de 2010, com o fortalecimento de eventos de cultura geek em Rio Branco. Convenções locais, campeonatos de games, encontros de anime e feiras nerd passaram a abrir espaço para concursos cosplay, nos quais fãs realizam apresentações fiéis aos personagens que interpretam.
“Veterana de jogo”
Érica Lima, de 28 anos, engenheira agrônoma, mestra e atualmente doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal da Universidade Federal do Acre (Ufac), começou no cosplay aos 15 anos e afirma que, no início, produzir figurinos no Acre era muito mais difícil por conta da falta de materiais, perucas, lentes e lojas especializadas. Segundo ela, a criatividade era essencial para improvisar peças e adaptar materiais locais.
Hoje, o cenário mudou com o crescimento das lojas online e da cultura geek no estado, principalmente após a pandemia. Apesar disso, ela destaca que os impostos sobre importação aumentaram os custos do hobby. “O acesso melhorou, mas os preços também aumentaram bastante”, afirmou.
“O cosplay acabou se tornando parte da minha vida e da minha história, sendo uma forma de expressão artística”, diz Érica. Foto: cedida
De acordo com Érica, um cosplay básico pode custar entre R$ 500 e R$ 800, enquanto produções voltadas para competições podem ultrapassar os R$ 2 mil, incluindo roupas, acessórios, maquiagem, perucas e itens de apresentação.
Mesmo com os altos custos, ela ressalta que também existem os chamados “cosplays baixa renda”, produzidos com criatividade e materiais reaproveitados.
Ao longo de 10 anos no hobby, a cosplayer acumulou mais de 20 premiações em concursos no Acre, incluindo categorias de desfile, performance e apresentações em grupo. Ela afirma que as maiores dificuldades ainda são encontrar materiais específicos no estado, como tecidos, EVA, tintas e maquiagem artística, o que leva muitos cosplayers a recorrerem a encomendas de outros estados e até da China.
Do hobby a profissão
Aos 26 anos, Lavinia Pereira, é costureira, cosmaker e acumula mais de uma década no universo cosplay. Costureira e cosmaker, ela começou no hobby há 12 anos e hoje produz figurinos e acessórios para outros fãs da cultura geek no Acre. Segundo ela, apesar das dificuldades enfrentadas no estado, a comunidade cosplay acreana se destaca pela originalidade.
“Os cosplays aqui no Acre são bem originais, não recebo pedidos iguais. Mas o mais comum é virem até mim por peças como sobretudos, quimonos ou partes de armaduras, que não são facilmente encontradas em lojas online”, contou.

Ela destaca que o cosplay deixou de ser um hobby barato nos últimos anos. Entre perucas, lentes, tecidos e acessórios, os gastos podem ultrapassar os R$ 800, dependendo da complexidade do personagem. “Perucas, lentes e tecidos sempre entram na lista de materiais. Só os tecidos podem variar entre R$ 25 e R$ 80 o metro”, explicou.
Além dos custos, a cosmaker afirma que a falta de materiais especializados no Acre também dificulta a produção. Muitos itens, como termoplásticos, perucas, lentes e peças em impressão 3D, precisam ser encomendados de outros estados ou até de fora do país.
Para Mayara Araújo, de 26 anos, biomédica e cosplayer há 10 anos, o custo para produzir um personagem depende da complexidade do projeto. Segundo ela, produções mais elaboradas podem custar entre R$ 600 e R$ 1 mil, enquanto cosplays mais simples ficam entre R$ 150 e R$ 300.
Mayara Araújo, de 26 anos, biomédica e cosplayer há 10 anos, já ganhou mais de 20 premiações. Foto: cedida
Mayara já conquistou o primeiro lugar em concursos cosplay mais de oito vezes e acumula mais de 20 premiações, além de já ter participado da CCXP, um dos maiores eventos geek do Brasil.
Um amor que transpassa universos
Enquanto isso, Mateus Carmo, de 20 anos, técnico de TI, é um dos mais jovens no universo cosplay acreano, atuando há cinco anos. Segundo ele, o interesse pelo hobby começou após participar de uma pequena competição na escola.
“Quando ganhei, isso me motivou a participar mais dos eventos aqui no Acre”, contou.
Atualmente, o cosplayer trabalha na produção de um cosplay do personagem Eren Titan, considerado por ele o mais caro e difícil já feito até agora. Apesar dos desafios, Mateus afirma que o processo também representa criatividade e dedicação.
Além da caracterização, ele afirma que o cosplay teve um impacto importante em sua vida pessoal e ajudou a melhorar sua autoestima. “O cosplay me salvou de uma depressão. Conheci amigos, recebi apoio e hoje tento incentivar outras pessoas que querem começar”, destacou.
Entre veteranos, novatos, paixão e investimento no mesmo hobby, Érica Lima deixa uma mensagem para aqueles que desejam entrar no universo cosplay.
“A principal dica é começar de forma simples e confortável. Escolher um personagem acessível ajuda a tornar a primeira experiência mais divertida e menos estressante. O mais importante no início é entender que cosplay é uma forma de expressão e diversão. Com o tempo, a pessoa vai adquirindo experiência, aprendendo novas técnicas e, se quiser, pode começar a participar de competições e investir em produções mais elaboradas”, concluiu.



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