Uma nuvem preta e densa cobriu o céu de Teerã no último domingo (8), forçando a agência local de meio ambiente a recomendar que seus cidadãos fiquem em locais fechados.
A causa foi o bombardeio de quatro instalações de petróleo na capital do Irã. Segundo o portal britânico The Guardian, moradores da cidade descreveram o amanhecer no local como apocalíptico. O fogo e a fumaça do ataque se espalharam por toda a cidade.
O Crescente Vermelho do país alertou que os produtos químicos que foram lançados na atmosfera após a destruição das refinarias podem causar o fenômeno, que pode danificar pulmões e a pele, e até mesmo aumentar o risco de câncer. Também recomendou que as pessoas não liguem ar-condicionados nem saiam de casa imediatamente após chover. Vidros de edifícios residenciais próximos estilhaçaram com as explosões.
“Quando acordei, pensei que havia algum problema”, disse à AFP um motorista de cerca de 50 anos. Muitos habitantes relataram a mesma sensação diante do céu escurecido, que obrigou moradores a acender as luzes em plena manhã. Por volta das 10h30 (7h em Brasília), os veículos ainda circulavam com os faróis acesos na avenida Valiasr, uma via de 17 quilômetros que corta Teerã de norte a sul.
O clima chuvoso e as nuvens densas aumentaram ainda mais a sensação de confusão. Elas se misturavam com grandes colunas de fumaça preta provenientes dos locais de armazenamento incendiados.
ACID RAIN IN IRAN?!
Thick black clouds of smoke seen across parts of Iran this morning after Israeli airstrikes on oil depots and refineries.
Rainfall is described as “black and oily”.
— Shashank Shekhar Jha (@shashank_ssj) March 9, 2026
A fumaça se espalhou por grande parte da cidade, uma metrópole que se estende por dezenas de quilômetros. O cenário deu à capital um aspecto apocalíptico, com forte cheiro de queimado em alguns bairros, no nono dia da guerra desencadeada por ataques de Israel e Estados Unidos.
Esta foi a primeira vez desde o início do conflito que a infraestrutura petrolífera do Irã foi atacada. Quatro depósitos e um centro logístico de produtos petrolíferos em Teerã e arredores foram atingidos por bombardeios, que deixaram ao menos 6 mortos e 20 feridos, segundo autoridades.
Em um dos depósitos de combustível atingidos na capital, o petróleo continuava queimando. A AFP viu chamas ainda se intensificando mais de 12 horas após os bombardeios israelenses.
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Racionamento de gasolina
Nos arredores do depósito, forças de segurança que usavam máscaras e capas impermeáveis para se proteger das emissões tóxicas controlavam a circulação. Autoridades advertiram que os gases liberados podem “provocar irritação nas vias respiratórias e nos olhos”, e pediram aos moradores que permaneçam em casa.
O governador da província de Teerã, Mohammad Sadegh Motamedian, informou pela manhã que a distribuição de gasolina havia sido “temporariamente interrompida”, mas pediu à população que não se preocupasse.
O abastecimento foi limitado a 20 litros por veículo. Longas filas se formaram hoje nos postos de gasolina da capital. Em junho, durante a guerra anterior, cerca de 6 milhões de moradores deixaram Teerã, cidade de mais de 10 milhões de habitantes, segundo meios de comunicação locais. Desta vez, a maioria permaneceu. A ONU estima que cerca de 100 mil pessoas tenham deixado a cidade.
*Com informações da AFP
Com informações: Jovem Pan News
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