A seleção nacional chega ao mundial de 2026 com a incômoda fila de cinco Copas sem títulos (2006, 2010, 1014, 2018 e 2022). O jejum é o mesmo do intervalo entre o tricampeonato, em 1970, e o tetra, em 1994. Na última eliminação precoce, no Qatar, a quinta para uma equipe europeia, o Brasil foi desclassificado nos pênaltis pela Croácia, nas quartas de final.
Na primeira fase, os comandados de Tite venceram a Sérvia, 2 a 0, a Suíça, 1 a 0, e perderam para Camarões por 1 a 0. Nas oitavas, apresentando um bom futebol, a seleção goleou a Coreia do Sul por 4 a 1. Depois, veio o embate diante dos croatas em busca de uma vaga na semifinal.
BRASIL 1×1 CROÁCIA (2×4 – pênaltis) – AL RAYYAN – 09.12.2022
BRASIL: Alisson; Éder Militão (Alex Sandro), Thiago Silva, Marquinhos e Danilo; Casemiro e Lucas Paquetá (Fred); Raphinha (Antony), Neymar, Vini Jr (Rodrygo) e Richarlison (Pedro).
Técnico: Tite
CROÁCIA: Livakovic; Juranovic, Lovren, Gvardiol e Sosa (Budimir); Brozovic (Orsic), Modric e Kovacic; Pasalic (Vlasic), Kramaric (Petkovic) e Perisic.
Técnico: Zlatko Dalic
Árbitro: Michael Oliver (Inglaterra)
Gols: Neymar (15) no primeiro tempo da prorrogação. Petkovic (11) na etapa final do tempo extra.
Pênaltis convertidos: Majer, Casemiro, Modric, Pedro e Orsic
Pênaltis perdidos: Rodrygo e Marquinhos
Público: 43.893
Tite repetiu contra a Croácia a mesma escalação da partida diante da Coreia do Sul. O Brasil teve muitas dificuldades durante a partida por causa da marcação implacável do adversário. O primeiro tempo foi abaixo do que se esperava. Com desempenhos individuais aquém das possibilidades, quem brilhou em inúmeros momentos foi Modric. Na etapa final, a equipe brasileira voltou melhor, com destaque para Vini. Jr. Neymar perdeu boas oportunidades e esbarrou no goleiro Livakovic. O tempo normal terminou sem gols e com muito equilíbrio de posse de bola.
Os torcedores presentes ao Estádio Cidade da Educação iriam acompanhar mais meia hora de futebol. Apesar das dificuldades físicas, Neymar abriu o placar aos 15 minutos do tempo extra. O camisa 10 tabelou com Rodrygo e Paquetá, invadiu a área, driblou o goleiro e balançou as redes. De acordo com a Fifa, o jogador chegava a 77 gols pela seleção canarinho, mesmo número de Pelé (a CBF contabiliza 95 para o Rei).
Apesar da vantagem no placar, a equipe de Tite, erroneamente, não segurou o jogo. Quando faltavam quatro minutos para o término do duelo, cinco brasileiros estavam avançados e deram espaço para o contra-ataque, que resultou no empate de Petkovic. Fred, volante que tinha substituído Paquetá, foi um dos crucificados por causa do lance. A vaga teve de ser decidida nas penalidades. Na disputa, mais uma eliminação da seleção nacional para um europeu. Rodrygo desperdiçou a primeira cobrança, defendida por Livakovic. Majer, Casemiro, Modric, Pedro e Orsic converteram. Entretanto, Marquinhos chutou na trave direita do goleiro croata e o Brasil estava fora. Nada de hexa!
Tite foi criticado por deixar o gramado imediatamente, sem consolar os jogadores. Ele justificou depois: “(…) Talvez eu pudesse ter feito diferente. Agora, talvez em todas as vitórias não é costume meu, eu fico sempre um cara mais reservado. Não é da vitória e da derrota, tu me viu comemorar quando vencemos? Não, não fiz. É um pouquinho do estilo. Mas talvez eu tivesse tido que fazer isso hoje. (…)”. A seleção chegou a quinta Copa perdida, igualando a fila de 24 anos, entre os títulos de 1970 e 1994. O Brasil ficou em sétimo lugar na classificação geral, a pior desde 1990, na Itália, quando amargou a nona colocação. Os jornais não perdoaram: “A era sem Copa” (Folha de S.Paulo), “Da Copa, só restou o choro aos brasileiros” (Estadão) e “Frustração: Brasil sai da Copa nos pênaltis” (O Globo).
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