O destino da castanha produzida no Acre foi o tema central de uma reunião estratégica entre a Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict), a Casa Civil e representantes do setor produtivo na última semana. O objetivo é claro: fazer com que a castanha colhida nas florestas acreanas seja processada por indústrias locais antes de ser exportada, garantindo que a riqueza gerada pelo beneficiamento permaneça no estado.
A industrialização da castanha no Acre representa uma mudança direta na qualidade de vida da população e no fortalecimento da economia regional. Atualmente, a maior parte da produção ainda é comercializada in natura, ou seja, com casca e sem qualquer processamento, o que limita o retorno financeiro para o estado. No entanto, ao incentivar que o beneficiamento ocorra em solo acreano, o cenário se transforma com a geração imediata de empregos, uma vez que as fábricas de processamento demandam mão de obra especializada para etapas como o descasque, a seleção rigorosa, a embalagem e toda a logística de distribuição.
Além da criação de postos de trabalho, a verticalização da produção garante um aumento expressivo na renda estadual e dos produtores. Produtos processados, como a castanha desidratada, óleos finos e farinhas, possuem um valor de mercado internacional significativamente superior ao da semente bruta. Esse valor agregado circula dentro do próprio Acre, permitindo maiores investimentos e o fortalecimento do extrativismo. Com uma rede de indústrias locais consolidadas, o coletor da ponta passa a ter uma garantia real de venda e melhores condições de negociação, assegurando a sustentabilidade da floresta e a dignidade de quem vive dela.
O desafio da matéria-prima
Um dos principais gargalos discutidos foi a falta de insumos para as fábricas locais. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Alimentares (Sinpal), José Luiz Felício, muitas indústrias acreanas chegam a paralisar as atividades por falta de castanha, enquanto o produto bruto acaba saindo para outros estados ou países.
“Precisamos manter a castanha no Acre para que ela seja beneficiada aqui. Esse debate é essencial para que as nossas indústrias funcionem a pleno vapor”, destacou Felício.
Próximos passos
O governo estadual, por meio do titular da Seict, Assurbanípal Mesquita, reafirmou que a castanha é um pilar estratégico para a expansão industrial do Acre. A meta agora é elaborar um projeto estruturante que integre melhor o extrativista e o empresário, criando um fluxo contínuo de produção.
Para Ítalo Medeiros, coordenador da Casa Civil, a prioridade é construir soluções que equilibrem o preço pago ao produtor e a viabilidade para a indústria, garantindo que o ciclo econômico da castanha comece e termine com lucro para o Acre.
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