A corrida pelo Palácio Rio Branco entra em seus últimos dias consolidando uma transformação profunda no cenário eleitoral acreano. O que parecia uma definição antecipada no início do processo transformou-se em um quadro inteiramente novo, provando que o favoritismo na largada não assegura estabilidade até o encerramento do pleito.
O desgaste e os erros na trajetória de Alan Rick
Apontado inicialmente como o provável vencedor da disputa estadual, amparado por um histórico bem-avaliado na Câmara e no Senado, o senador Alan Rick (Republicanos) viu sua dianteira minguar de forma acentuada. Durante a pré-campanha e a metade inicial do primeiro turno, o parlamentar liderava com ampla margem em todos os levantamentos de intenção de voto.
Contudo, uma sucessão de equívocos políticos começou a minar suas bases. O primeiro revés relevante ocorreu ainda no União Brasil, quando travou uma disputa judicial contra o hoje deputado federal eleito Fábio Rueda pelo controle do diretório de Manuel Urbano. O confronto direto com Fábio acabou atingindo seu irmão, Antônio Rueda, dirigente nacional da legenda, culminando na perda de comando da sigla e na migração de Alan para o Republicanos.
Além da perda partidária, o clima de vitória precoce contaminou a coordenação da campanha. O grupo subestimou forças tradicionais como o MDB e o PL, agindo como se o resultado já estivesse consumado. O excesso de confiança e a adesão de lideranças oportunistas impediram a leitura adequada da reação governista.
A ascensão de Mailza Assis e a força das alianças
No início do processo, poucos apostavam na viabilidade de Mailza Assis (PP). Estreante em eleições majoritárias diretas e com índices tímidos nas pesquisas, que orbitavam em torno de 3%, ela chegou a enfrentar especulações internas sobre uma possível substituição de sua candidatura.
A estratégia, porém, mudou com o avanço da campanha oficial. Mailza passou a utilizar de forma decisiva o peso da máquina administrativa, contando com a adesão da maioria dos deputados, prefeitos e legendas coligadas. No plano discursivo, adotou postura firme sem abrir mão da moderação e garantiu um impulso significativo ao oficializar a ex-deputada federal Jéssica Sales (MDB) como companheira de chapa.
A reestruturação da comunicação e a troca bem-sucedida dos antigos estrategistas de campanhas passadas consolidaram a arrancada. Ao assumir o topo das pesquisas, a governadora manteve a postura equilibrada, enquanto Alan Rick passou a rebater os dados dos institutos sob a alegação de favorecimento da adversária. O episódio reforça a célebre reflexão do ex-governador mineiro Magalhães Pinto: A política é como uma nuvem, você olha e está de um jeito, depois se olha, e está de outro jeito.
Cenário partidário e os bastidores pós-primeiro turno
Na retaguarda da disputa, diversos atores movimentam suas peças. O deputado Afonso Fernandes (UB), reeleito para o Legislativo, convocou um grande encontro de jovens no AFA Jardim para impulsionar a candidatura de Mailza na reta final. Do mesmo modo, o empenho do prefeito Alysson Bestene (PP) deve pavimentar o respaldo do Executivo estadual ao seu projeto de continuidade à frente da capital.
Por outro lado, o ex-candidato Tião Bocalom (PSDB), que encerrou a corrida em terceiro lugar, manteve-se em silêncio e não formalizou apoio aos concorrentes restantes. Já o senador mais votado, Márcio Bittar (PL), consolida sua posição política deixando para trás eventuais atritos.
Mesmo caso não alcance o governo estadual neste domingo, Alan Rick mantém seu espaço institucional garantido, pois ainda dispõe de quatro anos restantes de mandato no Senado Federal.
O desenrolar da eleição reafirma um antigo ensinamento: Se o inimigo é uma formiga, lhe trate na batalha, como se fosse um elefante. Independentemente do resultado que sairá das urnas, a disputa acreana deixa como lição central a ineficácia dos ataques pessoais e a impossibilidade de comemorar vitórias antes que a população exerça o direito ao voto.
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