A Universidade Federal do Acre (Ufac) divulgou nesta sexta-feira, 26, uma nota de esclarecimento e repúdio em resposta às críticas feitas pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação do Terceiro Grau do Acre (Sintest) e pela Associação dos Docentes da Ufac (Adufac). As entidades sindicais haviam publicado, na quinta-feira, 25, uma nota pública na qual questionam a criação da Unidade Correcional da universidade durante o período de transição da gestão.
Na manifestação, intitulada “Em Defesa da Coisa Pública e da Democracia na Ufac”, os sindicatos afirmam que a instituição da corregedoria, por meio de decisão ad referendum, ocorreu de forma tardia e sem debate nos órgãos colegiados. As entidades sustentam que a medida pode comprometer a autonomia da futura administração da universidade e alegam que sua implementação, após o processo eleitoral, teria motivação política.
Em resposta, a administração superior da Ufac negou as acusações e afirmou que a criação da Unidade Correcional não está relacionada ao resultado das eleições internas. Segundo a universidade, a medida integra um compromisso assumido junto à Controladoria-Geral da União (CGU) em dezembro de 2025, decorrente da avaliação de integridade pública realizada pelo órgão de controle.
A Reitoria informou que a estruturação da corregedoria vinha sendo discutida havia pelo menos dois anos e que sua implantação só não ocorreu anteriormente devido à inexistência de cargo de direção específico para a unidade. Com a disponibilização da função, a universidade afirma que passou a ter o dever de implementar a estrutura.
A administração também rebateu as críticas ao uso do mecanismo ad referendum. Segundo a nota, a adoção do instrumento ocorreu porque as reuniões dos conselhos superiores foram suspensas em razão da greve dos servidores técnico-administrativos. A Reitoria sustenta que a legislação permite a utilização desse mecanismo pelo dirigente máximo da instituição em situações dessa natureza.
Outro ponto abordado pela universidade diz respeito ao processo de transição da gestão. A Reitoria afirma que respeita o resultado da consulta à comunidade acadêmica, que elegeu os professores Josimar Ferreira e Almecina Balbino para os cargos de reitor e vice-reitora, respectivamente, e informa que já instituiu, por meio da Portaria nº 1.811, de 11 de junho de 2026, a Comissão de Transição da Gestão Superior, com reunião inaugural marcada para 30 de junho.
A nota destaca, contudo, que o período de transição não configura gestão compartilhada e que a atual reitora, Guida Aquino, permanece investida de todas as competências legais até o encerramento de seu mandato, em 11 de agosto de 2026.
Ao final da manifestação, a administração superior reafirma que continuará praticando os atos administrativos de sua competência até o último dia da gestão e repudia o que classificou como tentativa de politizar uma medida de natureza técnica. A universidade também afirma que a atual reitora não deve ser submetida a “constrangimento”, “coação”, “deslegitimação” ou “misoginia”, além de acusar grupos de utilizarem entidades sindicais para atender interesses políticos.
Na nota divulgada na quinta-feira, Sintest e Adufac defendem que a criação da corregedoria seja debatida pelas instâncias colegiadas da universidade, com participação da gestão eleita, e afirmam que permanecerão acompanhando o processo de transição em defesa da autonomia universitária e da gestão democrática.
Fonte: folhadoacre.com.br
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