Marcelo Mesquita

Copa do Mundo 2026: por que a Argentina chega forte no discurso, mas vulnerável no campo

04/05/2026 5 views 4 min de leitura

Existe uma tendência quase automática no futebol: olhar para o campeão vigente e colocá-lo, sem muita reflexão, na prateleira dos principais candidatos ao título seguinte. No caso da Seleção Argentina, isso tem sido repetido com frequência. Afinal, trata-se da atual campeã do mundo, vencedora da Copa América, com o gênio da bola, Messi, ainda desfilando seu talento e presença constante no topo do ranking da FIFA.

Mas futebol não é currículo. É desempenho atual.

E, olhando com rigor para o ciclo pós-2022, a Argentina não está no primeiro pelotão.

O topo hoje é outro

As seleções que sustentam o mais alto nível de desempenho recente são as seleções Francesa, Espanhola e Portugues. Equipes que combinam renovação consistente,
intensidade física elevada, modelos de jogo bem definidos. Elencos equilibrados entre juventude e experiência. Não vivem do que fizeram. Sustentam o que estão fazendo.

Argentina: bons números, problemas estruturais

Os números da Argentina no ciclo são, de fato, expressivos: alto percentual de vitórias, produção ofensiva consistente, sistema defensivo estatisticamente sólido, contudo números isolados não explicam o jogo.

Há um problema evidente: estrutura envelhecida, especialmente na defesa, que apresenta média de idade elevada (próxima dos 30 anos), queda de intensidade e redução de capacidade de recuperação em transições. Em Copa do Mundo, isso é determinante. O jogo hoje é físico, rápido, exige reação imediata. E esse setor da seleção azul e branca não acompanha esse ritmo com a mesma eficiência e eficácia de antes.

Ataque em transição, mas com perdas

No setor ofensivo, há sinais de renovação. Novos nomes surgem, o time tenta se reorganizar, mas perdeu uma peça importante: Ángel Di María.

Não apenas pela qualidade técnica, mas pela função tática: Amplitude, quebra de linhas, experiência em jogos grandes. Sem ele, o ataque perde variação.

A questão central: Lionel Messi

Messi continua sendo o fator decisivo. Isso não mudou. O que mudou é a forma como ele impacta o jogo. Aos 39 anos, o gênio da perna canhota já não sustenta a participação contínua, aceleração em transições, domínio territorial ao longo dos 90 minutos. Hoje, ele atua como organizador em momentos específicos, decisor em lances pontuais. Isso ainda resolve jogos? Sim.
Mas não sustenta uma campanha inteira no mais alto nível competitivo.

E, embora a Argentina tenha mostrado alguma independência em determinados jogos, a engrenagem criativa ainda passa por ele.

Preparação questionável

Outro ponto relevante: o nível dos adversários enfrentados. Grande parte dos amistosos teve caráter festivo, comercial, contra seleções de baixa exigência. Isso cria uma ilusão de desempenho.

Ganhar é importante. Mas contra quem se ganha importa tanto quanto.

Sem enfrentar adversários que imponham pressão alta, ritmo intenso e complexidade tática, a evolução do time fica comprometida.

O enquadramento correto

Diante desse cenário, a Argentina não está fora do grupo competitivo. Seria um exagero, mas também não está no topo.

Hoje, ocupa um segundo nível, ao lado de Seleções Brasileira, Alemã e Inglesa. Equipes com potencial, mas com questões a resolver.

Conclusão: entre o respeito e a realidade

A Argentina merece respeito pelo que conquistou. Isso é indiscutível.

Mas Copa do Mundo não é homenagem. É competição.

E, neste momento, o time apresenta envelhecimento em setores-chave, perda de peças importantes, dependência de um jogador em fase final de carreira e preparação abaixo do ideal. Pode fazer uma campanha sólida? Pode. Pode ser decisiva em jogos grandes? Também.

Mas, olhando o conjunto — e não o passado —, o cenário mais provável é de uma trajetória competitiva, porém não dominante.

Porque, no futebol de alto nível, tradição ajuda, entretanto o que decide é o que se entrega em campo hoje.

E hoje, a Argentina está um degrau abaixo.

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