
Tenho quase certeza de que você já ouviu — ou até já disse — a famosa frase: “O melhor do Brasil são os brasileiros”. E, convenhamos, ela faz muito sentido. Então, não se avexe, não… se aprochegue e vamos conversar um cadim sobre isso.
Para mim, há muitas coisas maravilhosas em ser brasileira. Mas, puxando sardinha para este espaço, preciso falar do nosso idioma oficial: o bom e velho português, herdado de Portugal.
Agora, embora todos nós falemos português, somos um país de dimensões continentais, marcado por uma diversidade cultural e regional imensa. E isso, naturalmente, se reflete na forma como falamos. Por isso, nosso povo não tem uma única maneira de falar, mas muitas.
Em uma rápida pesquisa, encontramos cerca de 12 dialetos catalogados. Claro, na prática, são muitos mais. Agora, o mais curioso é que, mesmo dentro de uma mesma região, há variações.
Por exemplo: temos o baianês, o nordestinês, o recifense. O carioquês, tão característico e chiado, na cidade do Rio de Janeiro. O paulistano, o caipira — com seu “R” marcante e construções próprias. O sertanejo, que nasce do encontro de várias influências. O brasiliense, que é a mistura de muitos cantos do país. O sulista, o gaúcho, o nortista, os três com o uso forte do “tu”. E o mineirês. Ah, o mineirês… econômico nas sílabas, mas generoso no afeto.
Não entrei em detalhes, pois o espaço não permite, mas a verdade é que cada forma de falar carrega história, identidade e pertencimento. São marcas vivas de um país imenso, diverso, lindo e, sim, abençoado por Deus.
Mas o que me fez escrever este texto foi que, nos últimos anos, ganhou força uma expressão que talvez você já tenha ouvido: preconceito linguístico. Claro, essa é uma ideia que vem do politicamente correto. Mas quer saber? Eu a apoio em 100%. E por quê?
Porque preconceito linguístico é quando alguém julga, ridiculariza ou desvaloriza a forma de falar do outro; seja pelo sotaque, pela região de onde vem ou até pela sua condição social. É quando se trata como errado aquilo que, na verdade, é apenas diferente.
Há linguistas que dizem que esse tipo de preconceito nada mais é do que uma discriminação social disfarçada. Até porque, muitas vezes, não é sobre a língua, mas sobre quem fala.
Imagino que o querido leitor já entenda por que trouxe esse tema hoje. São tantas as tretas deste país dividido que falar de um acontecimento da semana passada talvez já seja assunto velho. Mas sinto que preciso fazê-lo.
Até porque, em tempos em que se fala tanto de salvar a democracia e em abolir os “discursos de ódio”, muito me espantou — e, por que não dizer, doeu — ouvir de um nobre ministro do Supremo que o ex-governador de Minas Gerais fala de forma ininteligível. Talvez como se falasse “num dialeto do Timor-Leste”… E pra quê do Timor? Se já temos tantos por aqui?
De verdade, fiquei triste. Logo com o mineirês. Para mim, o dialeto da proximidade. Do cadim afetuoso que os mineiros sempre nos oferecem. E, sim, o coração doeu, porque um guardião da democracia deveria proteger o que nos é sagrado: nosso idioma, nossos dialetos, nosso país.
No fim das contas, falar diferente não é falar errado, caro ministro. Errado é confundir diversidade com ignorância; e respeito com silêncio imposto.
Fonte: pleno.news
Gerar Post/Story